A cavidade oral abriga uma comunidade microbiana complexa e vital para a manutenção da saúde bucal. Essa microbiota equilibrada contribui para funções como a digestão, a defesa contra microrganismos patogênicos e a regulação do pH local. No entanto, quando um desequilíbrio se estabelece nessa comunidade, ocorre a disbiose oral, fenômeno cada vez mais reconhecido por seu impacto não apenas na saúde bucal, mas também na saúde sistêmica. Entender as causas e consequências desse desequilíbrio é essencial para uma Odontologia mais preventiva, integrativa e eficaz.
A microbiota oral é formada por centenas de espécies de bactérias, fungos e vírus, coexistindo em equilíbrio com o hospedeiro. Esse ecossistema natural é influenciado por fatores como higiene bucal, dieta, uso de medicamentos, alterações hormonais e imunológicas. Quando esse equilíbrio se rompe, ocorre a disbiose e com ela o aumento de microrganismos patogênicos, como Streptococcus mutans, Porphyromonas gingivalis e Treponema denticola.
Tais bactérias estão diretamente envolvidas no desenvolvimento de cárie dentária, gengivite e periodontite, doenças inflamatórias crônicas da cavidade oral. Mais preocupante ainda é que as repercussões da disbiose vão além da boca. Dessa forma, destaca-se que existem evidências de que microrganismos e produtos inflamatórios originados na cavidade oral podem entrar na corrente sanguínea, contribuindo para doenças como endocardite infecciosa, diabetes, complicações na gestação e até doenças cardiovasculares.
Acerca dessa lógica, é urgente repensar o papel da microbiologia na prática odontológica. Não se tratando apenas de restaurar dentes, mas sim de preservar a ecologia bucal, respeitando a importância da microbiota saudável. Estratégias como o uso racional de antibióticos, a introdução de probióticos orais e a valorização da educação em saúde bucal ganham destaque nesse novo paradigma.
Diante disso, pode-se afirmar que a disbiose oral é um desafio real e crescente, que exige uma atuação consciente por parte dos profissionais de saúde. O equilíbrio da microbiota bucal deve ser encarado como um indicador e promotor de saúde integral. Assim, cuidar da boca não é apenas escovar os dentes é também proteger o corpo. A Odontologia do futuro é aquela que entende que a saúde começa pela boca e que o microbioma oral é um aliado, não um inimigo.
Profª. Drª. Nila Maria Bezerril Fontenele
Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora em Bioquímica, mestra em Engenharia Civil (Recursos Hídricos) e graduada em Ciências Biológicas.
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