A avaliação da função hepática pode mudar escolhas terapêuticas na prática odontológica

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O hepatograma é um exame essencial para avaliar a função hepática e orientar decisões clínicas seguras na Odontologia, especialmente, porque muitos procedimentos dependem da metabolização adequada de fármacos pelo fígado. Alterações hepáticas podem prejudicar a coagulação e elevar significativamente o risco de toxicidade medicamentosa durante o atendimento.

O hepatograma inclui marcadores como TGO (transaminase glutâmico-oxalacética), TGP (transaminase glutâmico-pirúvica), gama-GT (gama glutamil-transferase), fosfatase alcalina, albumina, bilirrubinas e proteínas, cada um refletindo um aspecto específico da função hepática (MAIA et al., 2024). Para a prática odontológica, esses dados são essenciais porque permitem avaliar a capacidade do fígado de metabolizar anestésicos locais, anti-inflamatórios não esteroides, antibióticos e analgésicos frequentemente utilizados no consultório.

Pacientes com comprometimento hepático podem apresentar menor tolerância a certos medicamentos, maior risco de efeitos tóxicos e dificuldade na eliminação de substâncias, o que exige escolha criteriosa e ajuste de dosagens. Outra razão que torna o hepatograma relevante é a sua relação com a coagulação sanguínea. O fígado é responsável por produzir grande parte dos fatores de coagulação, o que significa que doenças hepáticas podem aumentar significativamente o risco de sangramentos durante procedimentos invasivos, como extrações dentárias, raspagens profundas e cirurgias periodontais (DANTAS et al., 2022).

Além disso, muitas doenças hepáticas apresentam manifestações bucais que podem ser percebidas durante a anamnese e o exame clínico. Icterícia, sangramento gengival recorrente, mucosas pálidas, alterações de cicatrização e halitose hepática são sinais que, associados aos resultados do hepatograma, ajudam no raciocínio diagnóstico.

O hepatograma é um exame fundamental na Odontologia, pois orienta escolhas terapêuticas e decisões cirúrgicas com maior segurança. A sua integração à prática clínica favorece condutas individualizadas e alinhadas à saúde sistêmica. Assim, deixa de ser apenas um exame complementar e torna-se ferramenta indispensável para reduzir riscos e melhorar os resultados clínicos.

Referências:

 

1) DANTAS, J. B. L. et al. Manejo odontológico de paciente com distúrbios hepáticos. In: A sociedade no processo de transformação social. Editora Epitaya, Rio de Janeiro, 2022. p. 113-124.Disponível em:<https://www.academia.edu/82981371/Manejo_Odontol%C3%B3gico_de_Pac_com_Dist%C3%BArbios_Hep%C3%A1ticos>

 

2) MAIA, L. M. et al. Guia prático para o manejo odontológico do paciente com cirrose hepática. UFRJ, Rio de Janeiro, 2024. 37 p. Disponível em: <https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/23293/5/LMMaia.pdf>

 

Prof. Me. Valmirlan Fechine Jamacaru

Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.

Mestre em Ciências Médico-Cirúrgicas, especialista em Estomatologia e Cirurgia Oral Menor e graduado em Odontologia.

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