A cólica é definida como uma dor abdominal de origem digestiva, causada pela ação peristáltica interrompida do músculo liso nas vísceras. O quadro de cólica em equinos é marcado pelo seu principal sinal: a dor abdominal, variando de dor moderada a severa. A etiologia da cólica é diversa e inclui fatores obstrutivos, inflamatórios, espasmódicos e de motilidade.
Alterações de manejo, como mudanças repentinas na dieta, baixa ingestão de água e confinamento prolongado, estão entre os principais desencadeadores. Além disso, parasitos gastrointestinais e complicações pós-operatórias também figuram como causas importantes.
Apresentando-se como um distúrbio passageiro ou episódio complexo e de difícil resolução, a cólica constitui-se como a doença mais comum e severa para estes animais, sendo a causa de morte mais importante em equinos no mundo. A mesma é a principal causa de coagulopatias secundárias em equinos, destacando-se os quadros de coagulação intravascular disseminada (CID).
As disfunções gastrointestinais hemostáticas causadas pela cólica são associadas a danos endoteliais, ativação de citocinas e proteases, simultaneamente à inibição do sistema fibrinolítico. Toda a cascata de citocinas pró-inflamatórias está relacionada à falência de órgãos mediada por trauma e sepse, presentes na maioria dos casos de cólica equina em diferentes níveis.
Esse quadro clínico está diretamente relacionado à anatomia peculiar do sistema digestório dos equinos, que apresenta características que os tornam mais suscetíveis a distúrbios gastrointestinais. A complexidade do intestino grosso, aliada à dependência do equilíbrio entre microbiota, motilidade intestinal e dieta, favorece o surgimento de distúrbios digestivos.
Portanto, o atendimento emergencial deve ser imediato e sistemático, uma vez que a rápida identificação da gravidade do quadro é determinante para o sucesso terapêutico. O primeiro passo diante de um caso suspeito de cólica é a avaliação clínica inicial, que compreende a observação de parâmetros fisiológicos essenciais, como frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura, coloração das mucosas, tempo de preenchimento capilar, motilidade intestinal e intensidade da dor.
Os critérios de encaminhamento para cirurgia incluem: dor persistente e refratária à analgesia, taquicardia progressiva, refluxo nasogástrico volumoso, achados retal e ultrassonográficos compatíveis com obstrução ou deslocamento, e alterações no líquido peritoneal.
Prof. Yhála Lorena Paulino Sampaio
Docente do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Produção Animal e graduada em Medicina Veterinária.
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