No percurso acadêmico da Enfermagem, é comum que as disciplinas de ciências básicas, como a Patologia, sejam encaradas pelos discentes como obstáculos teóricos repletos de terminologias complexas, distantes da prática assistencial. Existe, por vezes, uma desconexão perigosa entre o que se estuda no laboratório e o que se executa na beira do leito. No entanto, para o planejamento de uma carreira sólida, é imperativo desconstruir essa dicotomia.
A Patologia não deve ser vista apenas como o estudo das doenças, mas sim como a linguagem universal das alterações orgânicas. Sem o domínio dos processos patológicos, o enfermeiro corre o risco de tornar-se um mero executor de prescrições, esvaziado de pensamento crítico. A compreensão profunda da fisiopatologia é, portanto, o divisor de águas entre o técnico que realiza procedimentos e o enfermeiro que gerencia o cuidado com autonomia e cientificidade.
A interseção entre Patologia e Enfermagem manifesta-se, primordialmente, na qualidade do raciocínio clínico. Ao realizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o enfermeiro precisa identificar sinais e sintomas que são, em essência, manifestações de alterações patológicas. Um profissional que compreende, por exemplo, a cascata inflamatória ou os mecanismos de choque séptico, não apenas monitora sinais vitais; ele antecipa complicações. Ele deixa de ser reativo para ser preventivo.
Além disso, a Patologia é a base para a Educação em Saúde, uma das atribuições privativas mais nobres do enfermeiro. Pacientes e familiares buscam respostas. O enfermeiro atua como um “educador” da complexidade médica, explicando o processo saúde-doença de forma acessível. Para simplificar a explicação de uma diabetes ou de uma hipertensão, o profissional precisa, paradoxalmente, ter um conhecimento complexo e profundo sobre a etiopatogenia dessas condições.
No campo da gestão e pesquisa, o conhecimento patológico orienta a tomada de decisão. Na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), por exemplo, o entendimento da microbiologia e da patogenicidade é vital para elaborar protocolos que salvam vidas. Na Oncologia, o enfermeiro navega por tratamentos que exigem compreensão detalhada da biologia celular para manejar efeitos adversos. Portanto, dominar a patologia é adquirir segurança técnica para dialogar de igual para igual com a equipe multiprofissional.
Em suma, a Patologia é a bússola que orienta a prática de Enfermagem segura. Para o futuro enfermeiro que almeja destaque no mercado de trabalho, o estudo das doenças não encerra no fim do semestre letivo; ele deve ser uma busca contínua.
Prof. Dr. Samuel Ramalho Torres Maia
Coordenador do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Ateneu.
Doutor e mestre em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde, especialista em Gestão, Auditoria e Perícias em Sistema de Saúde e em Urgência e Emergência Pré-Hospitalar e graduado em Enfermagem.
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