A resina composta é, hoje, o material restaurador mais utilizado no mundo. Sistemas adesivos cada vez mais modernos, resinas com nanopartículas e técnicas sofisticadas prometem longevidade, estética e desempenho mecânico superiores. Ainda assim, estudos clínicos mostram que a principal causa de substituição de restaurações em resina continua sendo cárie secundária, infiltração marginal e fratura. Surge, então, uma contradição: se a tecnologia evoluiu tanto, por que as falhas continuam tão frequentes?
A literatura científica é clara ao apontar que o fator humano supera o fator material. Pesquisas publicadas demonstram que erros no protocolo adesivo, isolamento deficiente, fotopolimerização inadequada e indicação incorreta do material são determinantes para o insucesso clínico. Muitos alunos e profissionais concentram os seus esforços em escolher “a melhor resina”, mas negligenciam fundamentos básicos, como controle de umidade, espessura dos incrementos e correta intensidade luminosa do fotopolimerizador.
Outro ponto crítico é a ilusão da simplificação. Sistemas “tudo em um” e técnicas rápidas, amplamente divulgadas na Internet, muitas vezes sacrificam previsibilidade clínica em nome da praticidade. A ciência mostra que a adesão à dentina continua sendo o elo mais frágil da cadeia restauradora, com degradação da camada híbrida ao longo do tempo. Ignorar isso é apostar em falhas futuras. A reflexão que fica é: não é a marca da resina que garante sucesso, mas o domínio da técnica e o respeito à biologia.
Prof. Me. Pedro Jessé Lima Veras
Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.
Doutorando em Biotecnologia, mestre em Odontologia, especialista em Odontopediatria e graduado em Odontologia.
Saiba mais sobre o Curso de Odontologia da UniAteneu.