O envelhecimento populacional no Brasil tem se intensificado de forma acelerada nas últimas décadas. Dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que a população idosa cresceu 57,4% em apenas 12 anos, resultado da redução da taxa de fecundidade e da melhoria das políticas públicas de saúde. Esse cenário impõe novos desafios ao sistema de saúde, especialmente, no que diz respeito à garantia de um envelhecimento saudável. Entre esses desafios, destaca-se a desnutrição proteico-calórica (DPC), condição que impacta diretamente a morbimortalidade da população idosa.
Com o avançar da idade, observa-se maior predominância feminina nas faixas etárias mais elevadas, fenômeno relacionado às maiores taxas de mortalidade masculina, associadas, principalmente, a causas externas e doenças evitáveis. O estado nutricional desempenha papel central nesse contexto, uma vez que o baixo peso extremo está fortemente relacionado ao aumento do risco de morte em indivíduos acima de 60 anos.
As alterações fisiológicas do envelhecimento, como mudanças no paladar, redução da massa magra, aumento da massa gorda e polifarmácia, favorecem a inadequação nutricional. A DPC caracteriza-se pela ingestão insuficiente de energia e macronutrientes, especialmente, proteínas, sendo classificada em leve, moderada ou grave conforme parâmetros antropométricos definidos pela CID E44.
Em idosos, a DPC geralmente apresenta etiologia secundária, associada a doenças crônicas, distúrbios gastrointestinais ou aumento das demandas metabólicas. A sua fisiopatologia envolve perda muscular, balanço nitrogenado negativo e comprometimento funcional de órgãos vitais, aumentando o risco de fraturas, infecções e úlceras por pressão. O diagnóstico baseia-se na história clínica, avaliação antropométrica e exames laboratoriais. A prevenção e o tratamento envolvem educação nutricional, políticas públicas de segurança alimentar e, quando necessário, intervenção hospitalar.
Diante do crescimento expressivo da população idosa, a desnutrição proteico-calórica configura-se como um relevante problema de saúde pública no Brasil. A adoção de políticas públicas mais eficazes, aliadas ao acompanhamento nutricional contínuo, é essencial para reduzir a morbimortalidade e promover um envelhecimento mais saudável e digno.
Prof. Me. Felipe Veríssimo de Lima
Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Ateneu.
Doutorando em Ciência e Tecnologia de Alimentos, mestre em Ciência Animal e graduado em Nutrição.
Saiba mais sobre o Curso de Nutrição da UniAteneu.