Design de Moda além da estética: o papel do pensamento crítico na formação de novos profissionais

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A moda expressa valores culturais, comportamentos sociais e transformações históricas, configurando-se como uma linguagem que comunica identidades, desejos e modos de vida. Formar profissionais nessa área tornou-se um grande desafio. Roland Barthes, em “O Sistema da Moda”, demonstra que a moda funciona como um sistema de signos, estruturado por códigos e discursos que produzem sentido social (BARTHES, 2009).

A roupa, nesse contexto, deixa de ser apenas objeto material e passa a operar como texto cultural, o que reforça a necessidade de formar designers capazes de interpretar e construir significados e não apenas de reproduzir formas ou tendências. Gilles Lipovetsky aprofunda essa reflexão ao analisar a moda como um dos pilares da modernidade, marcada pela individualização, pelo efêmero.

Para o autor, a moda acompanha as transformações da sociedade contemporânea, exigindo profissionais atentos às mudanças de comportamento, valores e estilos de vida. O designer de moda precisa compreender o contexto em que atua para que as suas criações façam sentido cultural e socialmente. Por sua vez, Diana Crane reforça essa perspectiva ao compreender a moda como um sistema cultural no qual roupas e estilos comunicam posições sociais, identidades e valores simbólicos.

Nesse cenário, o designer assume o papel de mediador cultural, traduzindo discursos sociais em produtos, coleções e narrativas coerentes com o seu tempo. Essa reflexão confirma a relevância diante das discussões contemporâneas sobre ética e responsabilidade. André Carvalhal destaca que a moda precisa alinhar discurso e prática, compreendendo o propósito como compromisso real com impacto social, ambiental e humano, e não apenas como estratégia de mercado.

Tal visão reforça a importância de uma formação que estimule consciência crítica e responsabilidade profissional. Diante desse cenário, o ensino superior em Design de Moda assume papel estratégico. Mais do que ensinar técnicas, é fundamental desenvolver repertório cultural, pensamento crítico, pesquisa e visão sistêmica.

O contexto sinaliza que a estetização do mundo intensifica o valor simbólico dos produtos, ampliando a responsabilidade dos criadores. Então, formar criadores é essencial. Formar pensadores é indispensável. É nesse equilíbrio que o Design de Moda se consolida como área de conhecimento e transformação social, preparando profissionais capazes de responder, com consciência e sensibilidade, aos desafios do presente e do futuro.

Profª. Ma. Fernanda Farias Vasconcelos Kreitlow
Docente do Curso de Design de Moda do Centro Universitário Ateneu.
Doutoranda em Design de Moda, mestra em Gestão de Negócios Turísticos, especialista em Styliste Coloriste Infographiste, graduanda em Artes e graduada em Design de Moda.

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