A perimenopausa é uma fase de transição marcada por intensas alterações hormonais, metabólicas e emocionais na vida da mulher, geralmente, iniciando entre os 40 e 50 anos. Apesar de ser um processo fisiológico, os seus impactos costumam ser subestimados, levando muitas mulheres a enfrentarem sintomas como alterações de humor, ganho de peso, distúrbios do sono, fadiga e irregularidade menstrual sem o suporte adequado.
Nesse contexto, o acompanhamento nutricional torna-se uma estratégia fundamental para promover saúde, qualidade de vida e prevenção de agravos metabólicos durante essa fase. As oscilações hormonais características da perimenopausa, especialmente, a redução progressiva da progesterona e a flutuação do estrogênio, afetam diretamente o metabolismo energético, a composição corporal e a sensibilidade à insulina.
Essas mudanças favorecem o acúmulo de gordura abdominal, a perda de massa muscular e o aumento do risco cardiovascular, tornando insuficiente a adoção de orientações nutricionais genéricas. O acompanhamento nutricional individualizado permite uma abordagem estratégica, considerando aspectos hormonais, inflamatórios e comportamentais.
A adequação do consumo proteico, o manejo da qualidade dos carboidratos, o equilíbrio de gorduras anti-inflamatórias e a correção de deficiências nutricionais, como vitamina D, magnésio e ferro, são intervenções essenciais nesse período. Além disso, a nutrição atua de forma direta na modulação do eixo intestino-hormônios, impactando positivamente sintomas como constipação, distensão abdominal e alterações de humor.
Outro ponto relevante é o suporte nutricional na prevenção de doenças crônicas que tendem a se manifestar ou se agravar após essa fase, como osteopenia, dislipidemias e resistência insulínica. Assim, o nutricionista assume um papel não apenas terapêutico, mas também preventivo, auxiliando a mulher a atravessar a perimenopausa com maior autonomia e consciência corporal.
Diante das profundas transformações que ocorrem na perimenopausa, o acompanhamento nutricional não deve ser visto como opcional, mas como parte essencial do cuidado integral à saúde da mulher. Uma abordagem nutricional personalizada contribui para o controle dos sintomas, a prevenção de doenças e a melhoria da qualidade de vida, promovendo um envelhecimento mais saudável e funcional. Investir em estratégias nutricionais nessa fase é, portanto, uma decisão que impacta positivamente a saúde presente e futura da mulher.
Profª. Ma. Christielle Félix Barroso de Lima
Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Ateneu.
Mestra em Nutrição e Saúde, especialista em Nutrição Clínica Funcional e em Fitoterapia Funcional e graduada em Nutrição.
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