A indústria da moda atravessa uma profunda transformação, na qual o saber manual e artesanal passa a coexistir com softwares, algoritmos e sistemas inteligentes característicos da Indústria 4.0. Essa mudança não se restringe ao campo tecnológico, mas redefine o perfil profissional do designer de moda, que precisa compreender essas ferramentas para não se tornar um usuário passivo da tecnologia. Nesse contexto, a Inteligência Artificial (IA) não substitui o designer, mas amplia as suas possibilidades, desde que haja domínio técnico para utilizá-la de forma crítica e consciente.
Não é a tecnologia que enfraquece o papel do designer, mas a fragilidade de sua formação técnica e científica. O conhecimento teórico prático sobre modelagem, tecidos e processos construtivos permite prever o comportamento dos materiais em relação ao corte, ao peso e ao movimento do corpo, tornando o uso da IA um recurso de apoio ao projeto, e não um atalho para soluções visualmente atrativas, porém, tecnicamente inviáveis.
A IA pode ser compreendida como um laboratório digital, capaz de transformar desenhos técnicos em simulações visuais realistas, possibilitando a análise de caimento, volume e estrutura antes da confecção da peça-piloto. A modelagem digital e a simulação de tecidos permitem identificar e corrigir falhas ainda na fase de planejamento, evitando retrabalhos e contribuindo para escolhas mais adequadas de materiais e soluções construtivas.
Assim, o projeto de moda deixa de ser apenas uma expressão artística e passa a integrar planejamento técnico e decisões estéticas de forma indissociável, contribuindo também para a redução de desperdícios. Esse aspecto reforça a sustentabilidade como prática técnica e projetual, e não apenas como discurso.
Dessa forma, a Inteligência Artificial não diminui a relevância do conhecimento tradicional do designer; ao contrário, quanto maior o domínio técnico científico, maior será a capacidade de utilizar essas ferramentas de maneira estratégica. A tecnologia não cria intenção nem compreende o significado cultural do vestir. Cabe ao designer assumir esse papel, utilizando a IA como aliada para facilitar a transformação das ideias em produtos viáveis, coerentes e alinhados às demandas contemporâneas da moda, considerando a sustentabilidade do planeta.
Profª. Isabel Bezerra Bandeira Linhares
Docente do Curso de Design de Moda do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Gestão do Design de Moda e Educação do Ensino Superior e Tutoria e graduada em Design de Moda.
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