A discussão sobre o futuro do programador ganhou força com a popularização de modelos de IA que escrevem código, geram testes e sugerem arquiteturas quase completas. Muitos passaram a afirmar que a profissão vai acabar e que a IA fará sozinha o trabalho de desenvolvimento de software. No entanto, olhar para a prática mostra outra coisa: quem domina fundamentos e arquitetura está sendo mais demandado, não menos.
Ferramentas de IA já automatizam boa parte do código repetitivo: CRUDs, trechos de integração, testes básicos, refactors mecânicos e até migrações entre frameworks. Isso reduz o tempo gasto em tarefas de baixo valor intelectual e expõe a fragilidade de quem sempre viveu apenas de decorar framework ou copiar soluções prontas. Em equipes maduras, a programação avançada deixou de ser a arte de digitar mais rápido e virou a capacidade de modelar domínio, definir limites claros entre serviços, pensar em segurança, escalabilidade e observar o sistema em produção.
Ao mesmo tempo, os riscos existem. Um desenvolvedor que se limita a aceitar qualquer sugestão da IA sem entender a complexidade, a concorrência, o consumo de memória ou os impactos em segurança deixa de ser um profissional e vira um operador de ferramentas. Modelos gerativos podem introduzir vulnerabilidades, repetir padrões ruins e gerar soluções que funcionam no happy path, mas falham em cenários extremos. É nesse ponto que fundamentos de algoritmos, redes, sistemas operacionais e bancos de dados se tornam ainda mais importantes: alguém precisa revisar, criticar e melhorar o que a IA produz.
Por isso, a pergunta relevante não é se a IA vai substituir o programador, mas que tipo de programador permanecerá relevante. Quem entende arquitetura, domínio de negócio e boas práticas de engenharia tende a aproveitar a IA como multiplicador de produtividade. Já quem ficou restrito ao “copiar e colar” é justamente quem sente mais medo. Em 2026, programação avançada é saber dirigir um time onde a IA é um copiloto poderoso, não disputar com ela quem escreve mais linhas de código.
Prof. Me. Stênio Oliveira da Silva
Docente do Curso de Engenharia de Software do Centro Universitário Ateneu.
Mestre em Computação Aplicada e graduado em Tecnologia em Telemática e em Gestão Estratégica em Negócios de Telecomunicações.
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