Curetas manuais: por que elas sempre serão insubstituíveis na Periodontia

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Em meio ao avanço acelerado das tecnologias ultrassônicas, lasers e dispositivos motorizados, cresce o discurso de que a instrumentação manual estaria ultrapassada. No entanto, uma análise criteriosa das evidências científicas mostra que as curetas manuais continuam sendo, e provavelmente sempre serão, ferramentas essenciais e insubstituíveis na Periodontia clínica de excelência.

Estudos publicados demonstram que, embora o ultrassom seja eficiente na remoção inicial de cálculo e na desorganização do biofilme, a instrumentação manual oferece vantagens únicas: maior sensibilidade tátil, controle preciso da superfície radicular e capacidade superior de refinamento da raiz. A percepção tátil proporcionada pelas curetas permite ao clínico identificar irregularidades, cálculo residual e textura radicular de forma muito mais precisa do que qualquer equipamento motorizado.

Além disso, a literatura aponta que a qualidade do alisamento radicular está diretamente relacionada à redução da inflamação periodontal e à reaproximação do epitélio juncional. Superfícies radiculares excessivamente rugosas favorecem a rápida recolonização bacteriana. As curetas, quando bem afiadas e corretamente utilizadas, produzem superfícies mais controladas e biologicamente favoráveis, especialmente, em áreas críticas como raízes finas, concavidades e regiões próximas à junção cemento-esmalte.

Outro ponto frequentemente ignorado é que a dependência excessiva de dispositivos ultrassônicos pode levar à perda de habilidade clínica fundamental. A Periodontia sempre foi uma especialidade de precisão, sensibilidade e domínio técnico manual. Reduzir o papel das curetas é empobrecer a formação clínica e transformar o periodontista em operador de máquina, e não em clínico de excelência.

A tecnologia deve ser aliada, não substituta do raciocínio e da habilidade manual. O ultrassom pode acelerar, facilitar e ampliar o acesso, mas a cureta é quem finaliza, refina e garante o controle biológico da superfície radicular. Por isso, mais do que uma preferência, a cureta representa um princípio: o domínio da Periodontia começa na mão do clínico, não no botão da máquina.

A provocação final é inevitável: Quando a bateria acaba, o ar falha ou o equipamento não está disponível, quem resolve o caso? A resposta sempre será a mesma: a cureta. E é exatamente por isso que ela nunca será ultrapassada.

Prof. Me. Pedro Jessé Lima Veras
Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.
Doutorando em Biotecnologia, mestre em Odontologia, especialista em Odontopediatria e graduado em Odontologia.

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