As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) são, hoje, uma realidade no mercado de trabalho. E no mundo acadêmico, existe ainda uma certa polêmica sobre seu uso: uns, defendem o seu uso em sala de aula, argumentando que ele já é uma realidade no mercado; outros, defendem justamente o contrário, argumentando que o seu uso tolhe a criatividade e “emburrece” o aluno. Tendo como base experiências empíricas veremos que tudo é uma questão de como saber usar a IA.
Os alunos que nunca tiveram contato anterior com ferramentas de IA, tendem a pensar que o seu uso é algo semelhante à uma consulta em site de buscas, tal como o Google ou Bing. E é justamente aí que a experiência em sala de aula mostra onde reside o principal erro dos alunos.
Um outro aspecto, de caráter mais nocivo, é na produção de textos autorais. Além da questão do plágio, existe também a possibilidade, real hoje, de que o texto produzido por qualquer IA tenha tido, como base, materiais baseados em fake news ou textos imprecisos.
Além da questão da autoria, fica quase impossível para o aluno filtrar quais informações geradas são verídicas, ou não, sem ajuda do professor. Também existe a possibilidade da mecanização do processo de aprendizagem, prejudicando a capacidade de interação humana e pensamento crítico.
Um outro problema muito comentado e observado em sala de aula, é a dependência excessiva dos alunos na IA, reduzindo a capacidade de aprender de forma autônoma, de maneira que os alunos ficam muito dependentes do uso da IA para a resolução de problemas.
Isso, sem contar com dois aspectos pouco citados: desigualdade educacional (alunos com acesso limitado à ferramentas de IA, não importa o motivo, acabam tendo reforçado o fosso educacional já existente) e privacidade de dados (uso indevido de dados coletados dos alunos ou até mesmo ataques de hackers aos banco de dados com as informações dos mesmos).
Mas nem tudo são espinhos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o uso da IA é de grande valia em métodos de aprendizagem construtivos, focados em interações humanas. Exemplos do uso destes métodos são quando se usa a IA para fazer revisões textuais e sugerir melhorias. Como a prática mostra, o uso da IA pode ser muito útil quando, a partir de dados informados para a ela, pedimos que sejam gerados informações úteis, dentro de um determinado contexto.
Com o exposto acima, vimos que em termos práticos, a IA é apenas mais uma ferramenta à disposição de alunos e professores em sala de aula; e pessoalmente, acredito que o seu uso deva ser estimulado, pois o seu uso já é uma realidade no mercado de trabalho. Onde mora a “arte”? Achar o ponto de equilíbrio, que permita aos alunos fazer um bom uso das ferramentas de IA disponíveis, e evitar suas armadilhas de dependência ou mau uso. Onde fica este ponto de equilíbrio? Vai depender de cada disciplina e de cada professor.
Prof. Abívio Soares Pimenta
Docente do Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Administração e Segurança em Sistemas Computacionais e graduado em Redes de Computadores.
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