O medo do profissional e a exclusão do paciente especial

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A Odontologia para pacientes com necessidades especiais representa um campo essencial para a promoção da equidade em saúde. Apesar dos avanços teóricos e normativos, ainda é comum a exclusão desses pacientes do atendimento odontológico convencional. Entre os diversos fatores envolvidos, destaca-se o medo do próprio profissional, muitas vezes relacionado à insegurança técnica, à falta de preparo e ao desconhecimento das particularidades desses indivíduos.

Assim, torna-se necessário refletir sobre como o receio do cirurgião-dentista pode se transformar em uma barreira concreta para o acesso ao cuidado. O medo do profissional frente ao atendimento do paciente especial geralmente está associado à formação insuficiente durante a graduação e à pouca vivência clínica nessa área. Situações como dificuldade de comunicação, comportamento não colaborativo, comorbidades sistêmicas e uso de medicações específicas despertam insegurança, levando muitos profissionais a evitar o atendimento ou encaminhar o paciente de forma indiscriminada.

Essa postura, ainda que muitas vezes inconsciente, contribui para a exclusão e reforça desigualdades no acesso aos serviços de saúde bucal. O paciente com necessidades especiais passa a enfrentar longos percursos em busca de atendimento, o que favorece o agravamento de condições bucais simples e impacta negativamente a sua qualidade de vida. Além disso, a recusa ou o encaminhamento inadequado pode gerar sofrimento emocional, tanto para o paciente quanto para os seus familiares e cuidadores.

É importante destacar que o medo não deve ser interpretado como falha moral do profissional, mas como reflexo de lacunas estruturais na formação e na organização dos serviços. No entanto, quando não reconhecido e enfrentado, esse medo compromete o princípio ético da universalidade do cuidado. Investir em capacitação contínua, trabalho multiprofissional e estratégias de acolhimento são medidas fundamentais para reduzir a insegurança e ampliar o acesso.

O medo do profissional configura-se como um fator silencioso, porém, determinante, na exclusão do paciente com necessidades especiais da atenção odontológica. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para transformá-la. Uma prática baseada no conhecimento, na empatia e na responsabilidade social é essencial para garantir um atendimento mais justo, humano e inclusivo. Superar o medo significa ampliar o cuidado e reafirmar o compromisso ético da Odontologia com todos os pacientes.

Prof. Antônio Rafael Oliveira e Silva
Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.
Mestrando em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, especialista em Ortodontia, em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e em Periodontia e graduado em Odontologia.

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