A incorporação de tecnologias digitais na área da saúde tem provocado profundas transformações na forma como os serviços são organizados, ofertados e avaliados. Na Fisioterapia Respiratória, esse movimento é particularmente evidente com o avanço da Inteligência Artificial (IA) e da telereabilitação, que vêm se consolidando como importantes ferramentas no acompanhamento, avaliação e tratamento de indivíduos com doenças respiratórias agudas e crônicas. Tais inovações não apenas ampliam o acesso ao cuidado, mas também desafiam o modelo tradicional de formação e atuação profissional.
A telereabilitação respiratória, entendida como a prestação de serviços fisioterapêuticos à distância, por meio de tecnologias de informação e comunicação, mostrou-se especialmente relevante após a pandemia da Covid-19. Programas de reabilitação pulmonar remotos têm demonstrado resultados comparáveis aos presenciais em pacientes com DPOC, asma e sequelas pós-infecção viral, além de favorecerem a adesão ao tratamento e a continuidade do cuidado. Nesse contexto, sensores portáteis, oxímetros conectados, aplicativos de monitoramento de sintomas e plataformas de videoconferência tornaram-se extensões do consultório e da clínica fisioterapêutica.
Paralelamente, a Inteligência Artificial vem sendo aplicada à análise de sinais respiratórios, interpretação automatizada de espirometria, avaliação da mecânica ventilatória e predição de desfechos clínicos em unidades de terapia intensiva. Sistemas baseados em aprendizado de máquina são capazes de identificar padrões sutis em grandes volumes de dados, auxiliando na tomada de decisão, na personalização das condutas e no ajuste de parâmetros ventilatórios. Para o fisioterapeuta respiratório, essas ferramentas representam um suporte à prática clínica, potencializando a precisão das avaliações e a segurança das intervenções.
Portanto, a Inteligência Artificial e a telereabilitação não devem ser vistas como substitutas do fisioterapeuta, mas como ferramentas que ampliam as suas possibilidades de atuação. Quando integradas à uma formação sólida em Fisiologia Respiratória, avaliação funcional e tomada de decisão clínica, essas inovações podem contribuir para uma prática mais resolutiva, acessível e baseada em evidências. O desafio que se impõe à Fisioterapia Respiratória é, portanto, equilibrar o avanço tecnológico com a preservação da essência humanizada do cuidado, garantindo que a inovação esteja a serviço da qualidade assistencial e da formação crítica dos futuros profissionais.
Prof. Ma. Juliana Pinto Montenegro
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Mestra em Ciências Médicas, especialista em Fisioterapia na UTI e graduada em Fisioterapia.
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