Medicamentos para emagrecer: quando a perda de peso também significa perda de músculos

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A busca pelo emagrecimento deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ocupar espaço relevante nas discussões sobre saúde pública. Em 2019, 60,3% dos adultos brasileiros apresentavam excesso de peso, 25,9% obesidade e 40,3% eram insuficientemente ativos (IBGE, 2020). Nesse cenário, medicamentos como semaglutida e tirzepatida representam avanços no tratamento da obesidade quando utilizados com indicação e acompanhamento adequados.

Entretanto, perder peso não significa necessariamente perder apenas gordura: estudos demonstram redução também da massa magra; no STEP 1, participantes tratados com semaglutida apresentaram redução de 9,7% da massa corporal magra (WILDING et al., 2021). Essa perda pode comprometer força, mobilidade, equilíbrio, autonomia e qualidade de vida, especialmente, em idosos e pessoas com menor reserva muscular.

Por isso, o tratamento da obesidade não deve ser avaliado somente pelos números da balança. Dados e estratégias de acompanhamento do DataSUS, do Sisvan e do Vigitel reforçam a necessidade de uma abordagem integral e contínua da saúde (BRASIL, 2023; BRASIL, 2024). Nesse contexto, a Fisioterapia assume papel fundamental na avaliação da força, mobilidade, equilíbrio e resistência, bem como na prescrição de exercícios terapêuticos individualizados, sobretudo, resistidos, capazes de contribuir para a preservação da massa muscular e da capacidade funcional.

Essa atuação está alinhada às Diretrizes Curriculares Nacionais da Fisioterapia, que destacam a promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde (BRASIL, 2002). O cuidado multiprofissional também é indispensável, com o farmacêutico contribuindo para o uso racional e seguro dos medicamentos. Diante do uso crescente de medicamentos para emagrecimento, é fundamental compreender que perder peso nem sempre significa ganhar saúde. Quando esse processo ocorre sem acompanhamento adequado, parte da redução pode decorrer da perda muscular, trazendo consequências para a força, a independência e a funcionalidade.

Assim, um emagrecimento verdadeiramente saudável deve preservar não apenas a composição corporal, mas também a capacidade de realizar as atividades da vida cotidiana. Mais importante do que simplesmente pesar menos é garantir que a mudança aconteça com segurança, acompanhamento profissional e preservação de um corpo forte, funcional e autônomo.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 4, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia. Brasília, DF: MEC, 2002.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: atenção primária à saúde e informações antropométricas. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
WILDING, J. P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. The New England Journal of Medicine, v. 384, p. 989-1002, 2021.
WILDING, J. P. H. et al. Impact of semaglutide on body composition in adults with overweight or obesity: exploratory analysis of the STEP 1 study. Journal of the Endocrine Society, v. 5, supl. 1, 2021.

Prof. Dr. Alexandre Pinheiro Braga
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Doutor e mestre em Saúde Coletiva, especialista em Saúde Coletiva, em História e Cultura Afro-Brasileira, em Gestão da Assistência Farmacêutica, em Farmacologia Clínica, em Saúde Pública, em Administração Hospitalar e Gestão da Qualidade em Sistemas de Saúde e graduado em Pedagogia, Teologia, Química e Farmácia.

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