Desinformação em alimentação e nutrição e a influência das mídias sociais

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Na era das mídias sociais, a busca por engajamento, publicização da informação, ganhos cada vez mais atrativos, vem fazendo com que muitos busquem essa alternativa como uma boa estratégia para projeção, ampliando, cada vez mais, a visibilidade destes entre os consumidores de conteúdo digital. Os “influenciadores” e até profissionais da saúde de diversas áreas estão cada vez mais imersos nesse universo digital. Partindo do entendimento de que todos buscam uma melhor qualidade de vida, e que, um dos determinantes para a saúde é a alimentação saudável, progressivamente essa temática vem sendo discutida e divulgada nos meios digitais.

O problema é que o assunto “Alimentação saudável” virou terreno fértil para disseminação de desinformação. Dentre os temas mais propagados estão os protocolos de emagrecimento rápido, consumo exagerado de alimentos, suplementos e produtos proteicos, terrorismo nutricional sobre alimentos tidos como “inflamatórios” que contenham lactose e glúten, venda e uso de suplementos e medicamentos para perda de peso sem supervisão de profissional qualificado, divulgação de cupons de descontos para diversos produtos e suplementos, que, muitas vezes, não tem comprovação científica para o uso proposto, além das dietas restritivas e outras estratégias e protocolos que fogem os preceitos éticos e que, muitas vezes é divulgado e realizado por blogueiros, influenciadores digitais e até por profissionais de saúde que não são nutricionistas.

Tendo em vista os diversos impactos negativos para a saúde das pessoas que seguem essas informações, incluindo os transtornos alimentares, busca-se o fortalecimento do nutricionista, uma vez que é o profissional legalmente habilitado, por intermédio da lei nº 8.234/1991 e da resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) nº 600/2018, como o profissional que tem a função privativa para prescrever dietas e outras atribuições específicas da profissão. Contudo, o seu alcance, influência e engajamento frente às estratégias de comunicação dos blogueiros e influenciadores, continua sendo menor, o que implica no alcance do grande público que consome esse tipo de conteúdo.

Em 2024, o CFN, por meio do Sistema Conselho Federal e Regionais de Nutrição, lançou a campanha “Nutrição é Ciência”, a qual pretende informar à população sobre a importância de buscar orientação nutricional e outros conteúdos relacionados à alimentação com base em evidências científicas. Estratégias assim são importantes para o fortalecimento da profissão e para a disseminação de informações de qualidade e que possam, de fato, agregar ao público que a consome. No entanto, ainda há necessidade de regulamentação nacional das mídias sociais, limitando a divulgação de conteúdos somente por profissionais capacitados na área da temática a ser compartilhada.

Considerando o exposto, ainda há grandes desafios a serem enfrentados que foge ao controle dos nutricionistas, enquanto divulgadores e criadores de conteúdo informativo para a Internet, e que adentram esferas superiores, como a regulamentação das mídias sociais. Contudo, se faz importante que profissionais éticos e respaldados pela ciência continuem a sua divulgação nas plataformas, mesmo que essa batalha contra os “pseudo-divulgadores científicos” esteja ainda longe de acabar.

Profª. Ma. Isabela Natasha Pinheiro Teixeira
Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Ateneu.
Doutoranda e mestra em Saúde Coletiva, especialista em Nutrição Clínica e Fitoterapia Aplicada e em Nutrição Clínica e Esportiva e graduada em Nutrição e em Gestão Ambiental.

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