A Lei nº 15.100/2025 e a BNCC Computação não representam políticas contraditórias. Ao contrário, elas se complementam: enquanto a primeira organiza o uso dos celulares na escola, a segunda orienta como a Educação Digital deve fazer parte da formação dos estudantes. O elo entre essas duas iniciativas é um só: a formação dos professores.
Durante muito tempo, acreditou-se que a inovação educacional dependia da presença de computadores, tablets ou celulares. A prática mostrou que não basta disponibilizar equipamentos. O que faz diferença é a forma como as tecnologias são integradas ao currículo e às metodologias de ensino. Mais importante do que decidir se o celular pode ou não entrar na sala de aula é definir qual aprendizagem queremos promover.
Os primeiros resultados da implementação da Lei nº 15.100/2025 reforçam essa ideia. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com o Instituto Alana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) Brasil, divulgada em 2026, 92% das escolas brasileiras já adotaram a legislação.
Entre os gestores entrevistados, 95% perceberam melhora na concentração dos estudantes, 97% observaram maior participação nas atividades escolares e 86% afirmaram que as atividades pedagógicas com tecnologias digitais foram mantidas ou ampliadas. Os dados mostram que restringir o uso indiscriminado do celular não significa afastar a tecnologia da escola, mas utilizá-la com maior intencionalidade pedagógica.
Nesse contexto, a BNCC Computação amplia o debate ao incorporar o Pensamento Computacional, a Cultura Digital e o Mundo Digital como componentes essenciais da Educação Básica. O desafio deixa de ser ensinar a usar ferramentas e passa a formar estudantes capazes de compreender, analisar e produzir tecnologias de forma crítica, ética e criativa.
Como professora e pesquisadora da formação docente, compreendo que nenhuma política pública alcança os seus objetivos sem professores preparados para implementá-la. Não por acaso, a mesma pesquisa do Inep aponta que 61% dos gestores consideram prioritário investir na formação docente para a mediação tecnológica. É justamente esse investimento que permitirá transformar diretrizes curriculares em práticas pedagógicas capazes de responder aos desafios da educação contemporânea.
Nesse cenário, instituições de ensino superior comprometidas com a formação de professores, como o Centro Universitário Ateneu, têm um papel estratégico ao preparar profissionais para integrar educação e tecnologia com intencionalidade, responsabilidade e compromisso com a aprendizagem. Afinal, a transformação digital da escola começa menos pelos equipamentos e muito mais pelas pessoas que ensinam.
Profª. Drª. Dina Mara Pinheiro Dantas
Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora em Educação a Distância e Learning e em Educação, mestra em Educação e graduada em Pedagogia.
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