A importância da psicoterapia habilitada na saúde mental do homem

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Historicamente, os modelos hegemônicos de masculinidade ensinaram aos homens que expressar dores, medos e incertezas representaria uma falha moral ou uma ameaça à sua virilidade. Essa construção cultural impõe uma “cegueira afetiva” e um crônico déficit de autocuidado, levando a população masculina a retardar a busca por auxílio e a só procurar os serviços de saúde em estágios avançados de sofrimento psíquico ou adoecimento físico.

Dados epidemiológicos publicados pelo Ministério da Saúde, no Boletim Epidemiológico de fevereiro de 2024, volume 55, número 4, revelam uma realidade preocupante: os homens lideram as estatísticas de suicídio, com taxas quase quatro vezes maiores do que as mulheres. Entre 2016 e 2021, a taxa de mortalidade masculina por suicídio por 100 mil habitantes variou de 9,4 a 11,9 em comparação com 2,3 a 3,3 para as mulheres. Esse crescimento na taxa de suicídios masculinos está diretamente relacionado à falta de autocuidado e ao absenteísmo nos consultórios de Psicologia.

A promoção da saúde mental masculina exige ir além do discurso genérico sobre um cuidado limitado a aspectos físicos. A intervenção decisiva para romper com o sofrimento psíquico represado em homens é a psicoterapia conduzida por profissionais habilitados (psicólogos e psicólogas). Acompanhar-se psicologicamente não é sinal de fragilidade, mas uma estratégia indispensável para desconstruir os estigmas da invulnerabilidade hegemônica e prevenir agravos, como o abuso de substâncias, a violência e o suicídio.

Contudo, desabafos informais ou conselhos superficiais do cotidiano não são suficientes para reorganizar estruturas emocionais muitas vezes consolidadas ao longo de toda uma vida. É no espaço seguro do consultório psicoterápico que o homem encontra a escuta técnica, ética e desprovida de julgamentos morais necessária para ressignificar a sua história. Assim, a psicoterapia oferecida por psicólogos e psicólogas diplomados e registrados no Conselho Regional de Psicologia (CRP) pauta-se em referenciais científicos e metodológicos consolidados. O cuidado profissional habilitado atua em frentes essenciais:

  1. Acolhimento da dor sem invalidação: proporciona um ambiente de sigilo e segurança onde o homem pode verbalizar vulnerabilidades sem o temor de ter a sua identidade questionada.
  2. Reconhecimento das emoções: auxilia no desenvolvimento da alfabetização emocional, permitindo identificar os sintomas de ansiedade, depressão e esgotamento que muitas vezes são mascarados por comportamentos de irritabilidade, raiva ou compulsões.
  3. Desconstrução de crenças limitantes: promove a reflexão crítica sobre as exigências sociais de autossuficiência e rigidez, favorecendo a construção de modos mais saudáveis e flexíveis de exercer as masculinidades.
  4. Prevenção de condutas de risco: a intervenção clínica qualificada intervém diretamente na raiz de sintomas externalizados, reduzindo significativamente as taxas de ideação suicida e o recurso ao álcool e a outras drogas como anestésicos emocionais.

Romper com a cultura da invulnerabilidade masculina é um desafio coletivo que demanda respostas qualificadas. A psicoterapia realizada por psicólogos e psicólogas habilitados consolida-se como o caminho mais seguro e eficaz para que os homens possam transitar do silêncio doloroso para uma vivência psíquica plenamente saudável, autêntica e equilibrada.

Prof. Dr. Janote Pires Marques
Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Ateneu.
Doutor em Educação Brasileira, mestre e graduado em História.

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