A anemia ferropriva é considerada uma deficiência nutricional comum no Brasil, sendo considerada um importante problema de saúde pública, caracterizada como deficiência de ferro. É uma condição adquirida, uma vez que a sua deficiência está associada à ingestão inadequada, perdas sanguíneas crônicas, alterações na absorção intestinal ou demanda fisiológica.
A carência desse micronutriente compromete a eritropoiese, levando à redução da síntese de hemoglobina e, consequentemente, leva à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio aos tecidos, resultando em fadiga incapacitante, palidez, falta de ar, palpitações, taquicardia e, em crianças, déficit cognitivo e piora no desfecho gestacional.
O ferro, além ser um nutriente essencial na fabricação de células vermelhas do sangue e transporte de oxigênio para todas as células do corpo, também participa na síntese de DNA e na geração de energia mitocondrial. O ferro alimentar pode ser encontrado em duas formas: ferro heme e não heme, ou conhecido como de origem animal e vegetal, respectivamente.
O primeiro provém da absorção da hemoglobina e mioglobina presente em carnes, aves e peixes; enquanto o não heme é encontrado, principalmente, em alimentos folhosos verdes, como o agrião, couve, cheiro-verde e as leguminosas, como feijão, fava, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico. Sabendo da importância do ferro na saúde do corpo, e que essa deficiência afeta a qualidade de vida dos indivíduos, bem como a produtividade no dia a dia, há a necessidade de uma investigação precoce a fim de reduzir custos associados a complicações futuras.
A investigação vai além do hemograma, embora este permaneça como o primeiro exame na avaliação da anemia. No entanto, parâmetros como hemoglobina, hematócrito e índices hematimétricos (VCM, HCM, CHCM) são indispensáveis. Apesar disso, a avaliação de ferritina sérica, transferrina, capacidade total de ligação do ferro, saturação de transferrina e hepcidina, são marcadores importantes nessa condição.
Pacientes com esse tipo de anemia devem ser tratados com o objetivo de repor os estoques de ferro e normalizar os níveis de hemoglobina. A reposição de ferro pode ocorrer por meio de ferro oral, como o sulfato ferroso como terapia de primeira linha, pois são baratas e apresentam boa biodisponibilidade. No entanto, pacientes podem apresentar efeitos colaterais como problemas gastrointestinais e constipação e o tratamento endovenoso, para aqueles que apresentam intolerância ao ferro oral, que possuem síndromes de má absorção e doença inflamatória crônica.
Embora se conheça o valor clínico da investigação precoce da anemia ferropriva, na prática, os protocolos padronizados de rastreamento e capacitação de profissionais na atenção primária ainda apresentam desafios. Nesse contexto, é fundamental a incorporação de biomarcadores mais sensíveis, visando uma abordagem mais precisa e individualizada. A investigação da anemia ferropriva não melhora apenas os desfechos clínicos, mas também reduz custos em saúde e promove melhor qualidade de vida, reforçando o seu papel nas terapias modernas.
Profª. Ma. Yasmim Mendes Rocha
Docente do Curso de Biomedicina do Centro Universitário Ateneu.
Doutoranda e mestra em Ciências Farmacêuticas, especialista em Biomedicina Estética e graduada em Biomedicina.
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