O uso indiscriminado de antibióticos e a ameaça da resistência bacteriana

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A descoberta dos antibióticos representa uma das maiores conquistas da Medicina, pois possibilitou a cura de doenças que anteriormente não possuíam terapias eficazes, contribuindo para a redução da mortalidade e para o aumento da expectativa de vida. Entretanto, apesar dos avanços proporcionados pelos antibióticos, seu uso inadequado tem favorecido o aumento da resistência bacteriana.

Práticas como a automedicação, as prescrições inadequadas e a interrupção precoce do tratamento favorecem o desenvolvimento de bactérias resistentes, comprometendo a eficácia do medicamento e dificultando o tratamento das infecções bacterianas. Dessa forma, a resistência bacteriana representa um grande desafio para a saúde pública.

A resistência aos antibióticos consiste na capacidade adquirida pelas bactérias de sobreviver à ação de fármacos, por meio de mutações no seu material genético que comprometem a eficácia do tratamento antimicrobiano. Esse processo pode ocorrer de forma natural, ou ser intensificado por ações humanas, como o uso inadequado e indiscriminado dos antibióticos, além do descarte incorreto de resíduos que favorecem a seleção de bactérias resistentes.

O surgimento de cepas resistentes compromete a segurança de diversos tratamentos médicos e cirúrgicos, resultando em impactos negativos para os sistemas de saúde, como o aumento no tempo de internação, o surgimento de complicações graves, a ineficiência de terapias preventivas e o aumento da taxa de mortalidade.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a partir de informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência microbiana causa 700 mil mortes no mundo por ano, e estudos apontam que esse número poderá atingir 10 milhões de mortes anuais até 2050, caso medidas eficazes não sejam adotadas.

O problema já tem impacto conhecido no tratamento de doenças como infecções urinárias, respiratórias e sexualmente transmissíveis (ISTs), além de pneumonias e tuberculose, e de várias outras. Diante desse contexto, é urgente adotar o uso racional dos antibióticos. Não se trata apenas de cuidar da saúde individual, mas garantir que as futuras gerações tenham acesso a tratamentos eficazes.

Profª. Drª. Denise Rocha Nepomuceno dos Santos
Docente do Curso de Farmácia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora e mestra em Bioquímica e Biologia Molecular e graduada em Ciências Biológicas.

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