“Que disciplina mais chata!”. Será?

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A Metodologia Científica é uma disciplina relevante na formação acadêmica de qualquer curso superior. Seja na área da saúde, humanas ou exatas, ela possibilita ao discente não somente reconhecer os métodos de investigação científica, mas interpretar os procedimentos, identificar as limitações e realizar uma leitura crítica das evidências disponíveis. Em último estágio, o seu conteúdo possibilitará uma qualificação do profissional no mercado de trabalho com o respaldo dos estudos e/ou irá contribuir para a formação de futuros cientistas.

No entanto, embora um estudo revelou que 70% dos alunos afirmaram ter uma elevada dificuldade para a elaboração trabalhos acadêmicos na ausência desta disciplina, tem se observado um crescente desinteresse dos alunos por esse estudo. Em partes, a dificuldade relacionada à didática do professor tem sido apontada como uma das principais razões para este fenômeno. Adicionalmente, 54,5% dos estudantes relataram não ter nenhuma outra abordagem integrativa nas demais disciplinas.

Uma instituição de ensino superior (IES) de destaque deverá elaborar um modelo dessa disciplina que se apoie em primeiro lugar no ensino ao aluno para formular uma questão de pesquisa de modo claro, preciso e relevante. Na prática, o aluno deixa de perguntar “Qual o melhor remédio para dor de cabeça?” para “Como as intervenções farmacológicas medicamentosas atuam sobre as dores de cabeça?”; ou “Qual treino é melhor para queimar gordura?” para “Quais exercícios físicos podem aumentar o gasto calórico de modo agudo e crônico para obesos?”. Substituir as normas e diretrizes, os apud e os et al por perguntas, poderá despertar nos alunos a curiosidade científica e por conseguinte, o interesse pelo conhecimento científico.

É evidente que essa possibilidade não é única e minimalista, mas pode representar um primeiro movimento por parte do aluno. Outros pontos podem ser acrescidos a isto, desde a ferramentas de buscas, fichamentos dinâmicos, leitura crítica, escrita e produção acadêmica, entre outros. As melhores universidades, os melhores cursos e a referência na empregabilidade e carreira são construídas a partir de um conhecimento científico. Outras razões, como financeiras ou acessibilidades, por exemplo, podem até ser determinantes para o ingresso do aluno em um centro universitário; porém, a qualificação dos professores e o fomento para a ciência é o que será um real diferencial.

Em suma, os professores devem avançar com o conhecimento científico por meio da disciplina de Metodologia Científica, instigando os alunos para uma curiosidade acadêmica, a questionamentos relevantes, a dúvidas, incertezas e busca pelas respostas. A adoção dessa abordagem poderá resgatar um dos pilares fundamentais para as universidades e a sociedade, superando decisões baseadas somente em práticas não validadas e perpetuando os erros passados.

Prof. Me. Flávio Aurélio Fernandes Soares
Docente do Curso de Educação Física do Centro Universitário Ateneu
Mestre em Educação Física, especialista em Fisiologia e Biomecânica do Exercício e graduado em Educação Física

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