A saúde mental é um dos maiores desafios do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o Brasil tenha avançado na construção de uma rede de atenção psicossocial baseada na inclusão e no cuidado comunitário, ainda convivemos com dificuldades que comprometem a continuidade da assistência e a qualidade de vida das pessoas que vivem com transtornos mentais graves.
Mais do que ampliar o acesso aos serviços, é preciso garantir que o cuidado preserve a dignidade humana em todas as etapas do acompanhamento. Pesquisas realizadas no campo evidenciam limitações estruturais, escassez de recursos, sobrecarga de trabalho e dificuldades para assegurar um cuidado contínuo. Essas barreiras não afetam apenas a organização dos serviços, mas sim repercutem diretamente na experiência de usuários e familiares, tornando ainda mais complexo o enfrentamento do sofrimento psíquico.
Todavia, nesse cenário, um problema é frequentemente invisibilizado: pessoas com transtornos mentais graves apresentam alta vulnerabilidade a doenças clínicas, mortalidade precoce e situações de exclusão social. Muitas vezes, as suas necessidades de saúde são reduzidas ao diagnóstico psiquiátrico, enquanto outras demandas permanecem negligenciadas (WALKER; MCGEE; DRUSS, 2015).
Essa realidade reforça a importância de compreender o sujeito em sua integralidade, reconhecendo que a saúde mental não pode ser dissociada das condições de vida, das relações familiares, do acesso aos serviços e do respeito aos direitos humanos. Nesse contexto, a dignidade precisa ser compreendida como princípio orientador das práticas em saúde mental. Isso implica reconhecer cada pessoa como sujeito de direitos, promovendo a sua autonomia, participação nas decisões terapêuticas e acesso a um cuidado centrado na pessoa, conforme recomendam as diretrizes internacionais para os serviços comunitários de saúde mental (World Health Organization, 2021).
O compromisso ético dos profissionais consiste em acolher a singularidade de cada história, mesmo diante das limitações impostas pelo sistema. Fortalecer a saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) exige investimentos em infraestrutura, valorização das equipes, formação permanente e políticas públicas capazes de reduzir desigualdades. Exige também uma mudança cultural: combater o estigma e compreender que cuidar vai muito além da prescrição de medicamentos
É nesse cenário que a formação das (os) futuras (os) psicólogas (os) assume papel estratégico, entre os melhores cursos de Psicologia. Formar significa desenvolver competências técnicas, sensibilidade humana e compromisso com a defesa da dignidade e dos direitos humanos. Afinal, quando colocamos o usuário no centro do cuidado, fortalecemos não apenas os serviços de saúde, mas também os princípios que sustentam um sistema público mais humano, inclusivo e justo.
Profª. Ma. Alexia Jade Machado Sousa
Docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário Ateneu.
Mestra em Saúde Coletiva, especialista em Saúde Mental, em Residência Multiprofissional em Pediatria e em Saúde Pública com Ênfase em Saúde Mental e graduada em Psicologia.
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