O avanço das tecnologias digitais tem ocorrido de maneira acelerada e a sociedade percebe a urgência de desenvolver habilidades adquiridas e ancoradas nessa revolução digital (KAZTMAN, 2010). Nesse contexto, o Estado deve garantir uma participação plena desses sujeitos nessa sociedade conectada. Logo, é pertinente indagar como se apresenta as ações que visam promover a inclusão digital no Brasil.
Ademais, nesse processo é importante esclarecer quem traça esses caminhos para que ninguém fique de fora (SANTOS, 2025) e quais são os maiores desafios para garantir uma ampla conexão no território brasileiro. A urgência dessa questão se justifica na medida em que a centralidade da inclusão digital repousa no fato de que os cidadãos devem apresentar habilidades relacionadas às competências digitais, tanto para fortalecer o pertencimento a uma sociedade que exige uma cidadania digital, quanto para atender a novas exigências do mercado.
Uma política de Estado importante nesse processo que visa mitigar a exclusão digital no Brasil é o Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID) que, a partir do decreto nº 11.542/2023, propõe estratégias para levar a conexão e a cidadania digital a todos os brasileiros. Para a sua melhor execução, o plano foi dividido em eixos, dos quais destaca-se: Educação, Letramento e Habilidades Digitais, Diversidade, Cidades e Periferias e Rural.
No ano seguinte, em 13 de novembro de 2024, a Aliança pela Internet Aberta (AIA) realizou o Internet Summit: Conectividade e Inclusão para o Futuro Digital. O referido seminário, ocorrido em Brasília, abordou o presente e o futuro da infraestrutura digital brasileira. Santos (2025) aponta também a importância de outro evento, a saber, o 15º Fórum da Internet no Brasil, em Salvador, em maio de 2025 realizado pelo Ministério das Comunicações (MCom) para efetivar o grupo de trabalho (GTI-PNID) do Plano Nacional de Inclusão Digital.
Todavia, atrelado a esse mesmo cenário de avanços, há os desafios sociais e estruturais que desafiam essa jornada da inclusão digital no Brasil. A Pesquisa TIC Domicílios (2025) indica que, embora a conectividade tenha avançado em 10 anos de pesquisa, ainda existe 14% de domicílios brasileiros desconectados. Dentre as barreiras apontadas, nos eixos infraestrutura, democratização e competências, destacam-se, respectivamente: a indisponibilidade de rede na área, com 2,1%, que corresponde a 1.617.571 de domicílios sem acesso; o alto custo de serviço/pacote, com 6,9%, que corresponde a 5.249.849 de domicílios sem condições de arcar com os custos de uma assinatura de Internet; a falta de habilidades digitais com 8%, que corresponde a 6.132.734 de domicílios, nos quais os seus moradores demonstram não possuir letramento digital adequado.
Dentre as evidências que acentuam o processo de exclusão, a falta de habilidades digitais apresenta um maior percentual. Esse fato reafirma a importância de uma educação digital (BRASIL, 2025), cuja formação inclua, por exemplo, pensamento computacional, robótica e o uso da Inteligência Artificial de modo autônomo, crítico e seguro dentro e fora do ambiente escolar. Nessa esteira de pensamento, a educação digital deve preparar os estudantes para acompanhar as novas complexidades do mundo globalizado e digital.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério das Comunicações. Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID): apresentação. Brasília, DF: Ministério das Comunicações, [2023]. Disponível em: https://www.gov.br/mcom/pt-br/assuntos/plano-nacional-de-inclusao-digital/copy_of_apresentaopnid.pdf. Acesso em: 26 jul. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Educação digital e midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/arquivos/guia_eddigital_versofinaloficial.pdf. Acesso em: 31 ago. 2026.
KAZTMAN, R. Impacto social de la incorporación de las nuevas tecnologías de información y comunicación (TIC) en el sistema educativo. Cepal: série políticas sociales, Santiago de Chile, n.166, oct. 2010.
NÚCLEO DE INFORMAÇÃO E COORDENAÇÃO DO PONTO BR (NIC.br). Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025. São Paulo: Cetic.br, 2026. Disponível em: https://cetic.br/pt/pesquisa/domicilios/publicacoes/. Acesso em: 27 jul. 2026.
SANTOS, Vitória. Quando o mapa se abre: o PNID e as coordenadas da inclusão digital. IRIS – Instituto de Referência em Internet e Sociedade, 8 set. 2025. Disponível em: https://irisbh.com.br/quando-o-mapa-se-abre-o-pnid-e-as-coordenadas-da-inclusao-digital/. Acesso em: 26 jul. 2026.
Profª. Drª. Janicleide Vidal Maia
Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Ateneu
Doutora e mestra em Linguística, especialista em Gestão Pública, em Psicopedagogia Clínica e Institucional e graduada em Letras (Português/Literatura)
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