Inteligência Artificial na Educação: dominar ferramentas ou reinventar práticas?

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Dominar a Inteligência Artificial (IA) não é suficiente para transformar a Educação. Em um cenário marcado pela rápida expansão dessas ferramentas, a inovação pedagógica depende menos da capacidade de operá-las e mais da competência do professor para utilizá-las com intencionalidade, senso crítico e objetivos educacionais definidos. Diante dessa realidade, a pergunta que deve mobilizar a comunidade acadêmica não é se a IA deve ou não estar presente no chão da sala de aula, mas como ela pode contribuir para promover experiências de aprendizagem e desenvolvimento humano significativos.

Nesse contexto, a formação e a atuação docente assumem um papel ainda mais relevante. Ao publicar o Marco Referencial de Competências em IA para Professores (2025), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) defende uma formação para o uso da IA que ultrapasse o domínio técnico das tecnologias e contemple competências relacionadas à ética, à pedagogia e ao desenvolvimento profissional contínuo, preservando a centralidade do ser humano no processo educativo.

Nessa mesma direção, a et al. (2026), defendem que o uso das tecnologias deve priorizar uma abordagem pedagógica reflexiva, e não apenas o domínio técnico. Assim, reduzir o processo de ensino e aprendizagem à lógica dos prompts é acreditar que educar consiste em conversar melhor com as máquinas, quando o verdadeiro desafio continua sendo dialogar com as pessoas. O processo educativo não é definido pelo uso ou não uso da IA. O protagonismo permanece nas pessoas que dão sentido à educação e constroem, coletivamente, os seus percursos formativos.

A popularização da IA também desloca um dos principais desafios da Educação. Se antes o acesso à informação era um obstáculo, hoje convivemos com respostas produzidas em segundos. Nesse novo cenário, o diferencial deixa de ser encontrar respostas e passa a ser formular perguntas capazes de provocar reflexão, investigação e pensamento crítico. Afinal, a qualidade das respostas produzidas pela IA depende da qualidade das perguntas que lhe são dirigidas.

Essa lógica reforça uma competência que sempre foi essencial à docência: criar situações em que perguntar seja mais importante do que simplesmente responder. Logo, talvez o maior legado da IA para a educação não seja ensinar a escrever melhores prompts, mas nos lembrar que toda aprendizagem significativa nasce de uma boa pergunta.

As tecnologias continuarão evoluindo, mas a essência da educação permanecerá naquilo que nenhuma ferramenta substitui: a capacidade humana de atribuir sentido, estabelecer relações e construir conhecimento. Em uma era marcada por respostas rápidas e cada vez mais automatizadas, o maior desafio da escola será continuar formando pessoas capazes de perguntar, refletir e criar novos caminhos para o mundo.

Referências Bibliográficas

ALEIXO, R. E. G.; OLIVEIRA, W. G. F. de; PEREIRA, G. A.; OLIVEIRA, S. S.  de; BORGES NETO, H. Competências docentes na era da Inteligência Artificial na perspectiva da Sequência Fedathi. Revista Intersaberes, [S. l.], v. 21, p. e26do304, 2026. DOI: 10.22169/revint.v21.e26do304. Disponível em:  https://www.revistasuninter.com/intersaberes/index.php/revista/article/view/3059. Acesso em: 31 jul. 2026.
UNESCO. Marco referencial de competências em IA para professores. Paris: Unesco, 2025. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/articles/marco-referencial-de-competencias-em-ia-para-professores. Acesso em: 31 jul. 2026.

Profª. Drª. Jéssica de Castro Barbosa
Docente do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora e mestra em Educação e graduada em Pedagogia.

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