A trajetória da educação acompanha as transformações sociais. Nos primórdios, o ensino estava voltado para tarefas básicas de sobrevivência, como prover alimento e defesa. Nas décadas passadas, o foco deslocou-se para o contexto social e laboral, ainda com menor exigência de complexidade pedagógica. Hoje, em um mundo globalizado e veloz, torna-se indispensável para construir novas competências. Nesse cenário, a neurociência emerge como ferramenta essencial para construir novas competências.
Aprender é tomar conhecimento de algo e retê-lo na memória, resultado de estudo, observação ou experiência. Sob a ótica neurocientífica, esse processo corresponde a alterações no sistema nervoso em resposta a estímulos ambientais. A memória, é o processo de aquisição, armazenamento e recuperação de informações, fundamental para o uso posterior de conhecimentos, que permite repetir ou ajustar atitudes com base em experiências passadas. Para a educação é importante distinguir memória de curto prazo da de longo prazo, sendo a primeira essencial para a manipulação imediata de dados, e a de longo prazo, responsável pela consolidação duradoura do aprendizado.
O cérebro não é estático, está em constante reestruturação. A plasticidade cerebral garante que o desenvolvimento não se encerre na idade adulta, sublinhando a capacidade contínua de aprender e adaptar-se. Essa característica torna indispensável a integração entre aspectos biológicos, emocionais e pedagógicos para o desenvolvimento integral do indivíduo. A neurociência, ao compilar conhecimentos de neuroanatomia, neuropsicologia e neurofisiologia, não prescreve métodos pedagógicos prontos, mas fornece subsídios para avaliar a eficiência de abordagens educacionais e otimizar estratégias de ensino-aprendizagem.
Na prática, metodologias ativas, gamificação, mindfulness e aprendizagem multissensorial são exemplos de como a neurociência pode ser aplicada em sala de aula, favorecendo a motivação, a atenção e a consolidação da memória. Ignorar essa dimensão é comprometer o futuro da educação; abraçá-la é investir em uma sociedade mais preparada, adaptável e consciente.
Referências Bibliográficas
FIRMINO, Laís Chrystina da Silva; BRAZ, Maria Natália dos Santos. Neurociência: uma revisão bibliográfica de como o cérebro aprende. Id on Line Rev.Mult. Psic., Dezembro/2020, vol.14, n.53, p. 999-1009. ISSN: 1981-1179.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2008
Prof. Antônio Wirly de Souza Lima
Docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário Ateneu.
Mestrando em Neuropsicologia e graduado em Psicologia.
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