As marcas roxas deixadas pela ventosaterapia, muitas vezes confundidas com hematomas acidentais, são na verdade, o gatilho necessário para uma potente resposta anti-inflamatória endógena. O real paradoxo da técnica reside no fato de que uma congestão local e isquemia temporária são o prenúncio para uma irrigação sanguínea profunda e analgesia duradoura.
Em minha análise como professor de uma instituição de ensino superior de destaque, defendo que essa intervenção apresenta mecanismos biológicos que justificam a sua eficácia no tratamento da dor lombar crônica inespecífica, indo muito além de um mero efeito placebo.
A eficácia clínica da ventosaterapia seca é corroborada por estudos de alta qualidade metodológica. Segundo o ensaio clínico randomizado de Salemi et al. (2021), a aplicação de cinco sessões de 10 minutos resultou em uma melhora significativa da dor e da incapacidade funcional, apresentando uma redução significativa da escala visual analógica (EVA).
Complementarmente, Volpato et al. (2020) observaram que uma única sessão de 15 minutos é suficiente para reduzir a intensidade da dor e melhorar a qualidade do sono. O funcionamento da técnica baseia-se em três pilares fisiológicos fundamentais encontrados nos estudos: primeiro, a hiperemia reativa, na qual a remoção da ventosa gera um fluxo maciço de sangue oxigenado que remove os mediadores inflamatórios locais; segundo, a indução da enzima heme oxigenase-1 (HO-1), desencadeada pelo extravasamento de hemoglobina que gera a equimose característica, responsável por catalisar o heme em biliverdina e monóxido de carbono, substâncias com potentes propriedades antioxidantes e analgésicas; e, por fim, a mecânica linfática, em que a pressão negativa traciona os filamentos de ancoragem, abrindo os vasos linfáticos iniciais para a drenagem de edemas e macromoléculas.
Além disso, a associação de acupontos como HT3 e ST36 permite abordar a dor sob uma perspectiva biopsicossocial, atuando sobre a ansiedade e a depressão, que frequentemente cronificam um quadro de dor lombar.
O “caos” visual gerado pela ventosa é o mecanismo que força o organismo a restaurar a ordem homeostática. Contudo, o sucesso clínico não é fruto do acaso, mas da precisão técnica e do domínio absoluto do protocolo pelo profissional. O alívio real e duradouro só é alcançado quando se realiza uma triagem rigorosa para excluir pacientes contraindicados e, a partir desta segurança clínica, fatores como a intensidade da sucção e o tempo de aplicação devem ser ajustados criteriosamente à condição individual, à área tratada e à modalidade escolhida, sendo a ventosaterapia seca destacada na literatura como uma opção não invasiva e mais segura.
Dessa forma, a importância da qualificação profissional aliada à prática baseada em evidências é o que evita complicações e garante resultados satisfatórios. Como um centro universitário de destaque, a UniAteneu reafirma a sua forte conexão com a carreira, preparando fisioterapeutas capazes de integrar essa ciência milenar ao mais alto rigor científico moderno.
Referências Bibliográficas:
Salemi, M. de M., et al. Effect of Dry Cupping Therapy on Pain and Functional Disability in Persistent
Non-Specific Low Back Pain: A Randomized Controlled Clinical Trial. JAMS. v.14, n.6, p.219-230, 2021.
Volpato, M. P., et al. Single Cupping Therapy Session Improves Pain, Sleep, and Disability in Patients with Nonspecific Chronic Low Back Pain. JAMS. v.13, p.48-52, 2020.
Prof. Dr. Edfranck de Sousa Oliveira Vanderlei
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Doutor e mestre em Bioquímica e graduado em Fisioterapia.
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