A controladoria, tradicionalmente, foca na proteção do patrimônio e na garantia da conformidade financeira. No entanto, o cenário empresarial contemporâneo tem sido transformado pela crescente importância dos fatores ambientais, sociais e de governança Environmental, Social and Governance (ESG). A integração dos princípios de ESG na estratégia corporativa não é mais apenas uma questão de responsabilidade social, mas também, um imperativo para a longevidade e o longevidade das organizações. Neste contexto, o papel da controladoria expandiu-se significativamente, exigindo uma redefinição de suas funções para incluir a mensuração e gestão de indicadores não financeiros, essenciais para a tomada de decisão informada.
A gestão eficiente das iniciativas de ESG depende da integração desses fatores nos sistemas de controladoria estratégica. Isso, envolve uma série de processos que conectam a estratégia de sustentabilidade à performance financeira. Os controllers (controladores) são responsáveis não só pelo monitoramento de custos e receitas, mas também pela criação de sistemas de informação gerencial que capturem dados de sustentabilidade de forma confiável e verificável.
A gestão eficiente desses processos depende de fatores como a definição de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) claros e a implementação de tecnologias para coleta e análise de dados. Além disso, os gestores de controladoria devem estar atentos às regulamentações em constante mudança, como as normas internacionais de reporting (regras contábeis globais). A inovação tecnológica tem desempenhado um papel crucial na modernização da função, permitindo uma auditoria mais ágil e transparente das informações ESG, o que mitiga riscos de greenwashing[1] e aumenta a confiança dos stakeholders[2].
Em resumo, a controladoria está posicionada de forma única para ser a guardiã da sustentabilidade corporativa. Ao integrar os indicadores de ESG nos seus processos de planejamento e controle, os controllers podem oferecer uma visão holística da performance da organização, garantindo que as decisões estratégicas considerem tanto o retorno financeiro quanto o impacto social e ambiental. Este novo paradigma reforça a importância do tema e indica caminhos para futuras pesquisas sobre a mensuração de valor a longo prazo e as implicações práticas da contabilidade de sustentabilidade na criação de um futuro empresarial mais resiliente e responsável.
Prof. Me. Fabrício José Costa de Holanda
Docente do Curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Ateneu.
Mestre em Economia Rural e graduado em Ciências Econômicas e Matemática (Licenciatura).
Saiba mais sobre o Curso de Ciências Contábeis da UniAteneu.
[1] Greenwashing – ou lavagem verde, em português – é uma estratégia de marketing comum e ilusória na qual as empresas promovem seus produtos como ambientalmente responsáveis sem cumprir os critérios reais de sustentabilidade. Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/greenwashing-entenda-o-que-e-e-aprenda-a-se-defender-de-propagandas-falsas. Acesso em: 29/01/2026.
[2] Stakeholders são indivíduos ou grupos que possuem um interesse ou impacto em uma organização ou projeto. Eles podem ser internos, como funcionários e acionistas, ou externos, como clientes, fornecedores, governos e comunidades. Disponível em: https://www.gov.br/ouvidorias/pt-br/governanca-de-servicos/ferramentas/mapa-de-stakeholders. Acesso em: 29/01/2026.