Insegurança alimentar e nutricional no Brasil nos últimos anos

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Após o surgimento da pandemia por Covid-19, tem sido observadas várias repercussões negativas, principalmente, quando tratamos de uma saúde pública fragilizada, como é o caso do que ocorre no Brasil. Tal situação acaba refletindo diretamente na proteção à saúde, o que tem contribuído no modo de vida das pessoas e, com isso, grandes desafios estão sendo enfrentados também por outros setores, como o socioeconômico. Dentre os impactos gerados, percebeu-se que a Insegurança Alimentar e Nutricional (IAN) cresceu nos dois últimos anos no Brasil.

Neste contexto, atualmente, milhões de brasileiros são acometidos pela crise econômica, política e sanitária, elevando, assim, o quadro da fome no país. Segundo os últimos dados obtidos no inquérito de Vigilância da Segurança Alimentar e Nutricional (Vigisan), a crise econômica, que já vinha crescendo em meados de 2013, foi impulsionada com a pandemia do novo coronavírus. Os resultados mostraram que no ano de 2020, a IAN e a fome no Brasil voltaram a níveis próximos aos de 2004, quando o país se encontrava no Mapa da Fome (VIGISAN, 2021).

O Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) é fundamental e vai além do acesso ao alimento, uma vez que se relaciona diretamente com a renda, moradia, abastecimento de água, saneamento básico, acesso a serviços de saúde, escolas, transporte público etc., e é dever do Estado promover políticas públicas que os assegurem à população.

Com o aumento da pobreza e das desigualdades de renda e ocupação, decorridos da crise sanitária, política e econômica, a população brasileira voltou a ter seu direito à alimentação adequada infringidos. Com isso, o Brasil retornou ao “Mapa da Fome”. Além da influência da pandemia, os desmontes nas políticas públicas de combate à fome contribuíram para prejudicar toda uma construção, a qual vinha sendo realizada nos últimos anos.

No Brasil há uma escala de mensuração da IAN, conhecida como Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a qual se destina a indicar a dimensão desse agravo na população. Por meio dessa técnica, é possível caracterizar os padrões alimentares e nutricionais ao longo do território nacional e compreender sua relação com os diversos fatores socioeconômicos. Dessa forma, com a insegurança alimentar identificada, principalmente, em populações mais vulneráveis, políticas públicas poderão ser pensadas com intuito de contribuir para a mitigação dessa condição.

Portanto, diante da magnitude em que se encontra a IAN, espera-se que novas propostas sejam trabalhadas no atual governo, com o intuito de reduzir o problema da insegurança alimentar e nutricional na atualidade, além de ampliar o incentivo para que mais pesquisadores da área possam estudar as lacunas e propor medidas, que sirvam de subsídio técnico-científico para a elaboração de novas políticas públicas voltadas a assegurar o direito à alimentação adequada e saudável.

Referências:

BEZERRA, M. S. et al. Food and nutritional insecurity in Brazil and its correlation with vulnerability markers. Cien Saude Colet. v.25, n.10, p. 3833-3846, Out., 2020. DOI: 10.1590/1413-812320202510.35882018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-812320202510.35882018. Acesso em: 26 out. 2022.
LEE, A. Wuhan novel coronavirus (COVID-19): why global control is challenging? Public Health, 179, A1–A2, Feb, 2020. doi: 10.1016/j.puhe.2020.02.001.
SOUZA, F. do. N. J. de. et al. (In)segurança alimentar no Brasil no pré e pós pandemia da COVID-19: reflexões e perspectivas. InterAmerican Journal of Medicine and Health, [S. l.], v. 4, 2021. DOI: 10.31005/iajmh.v4i.160. Disponível em: https://iajmh.com/iajmh/article/view/160. Acesso em: 26 out. 2022.
VIGISAN, Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. 2020. Disponível em: http://olheparaafome.com.br/VIGISAN_Inseguranca_alimentar.pdf Acesso em 25/10/2022.

Profª. Isabela Natasha Pinheiro Teixeira
Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Ateneu
Mestranda em Saúde Coletiva, especialista em Nutrição Clínica e Fitoterapia Aplicada e em Nutrição Clínica e Esportiva e graduada em Nutrição e em Gestão Ambiental

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