Ao longo dos últimos cinco semestres orientando projetos de extensão, percebi que os resultados mais significativos não estão apenas nos produtos desenvolvidos, mas nas relações construídas durante o processo. Iniciei essa trajetória com foco no design, na moda, na economia criativa e nas entregas realizadas pelos estudantes. Com o tempo, a experiência nas comunidades mostrou que os produtos permanecem importantes, mas são consequência de algo maior: a mediação entre universidade e comunidade e a construção compartilhada do conhecimento.
A metodologia adotada hoje resulta da observação e da reformulação contínua das práticas extensionistas. A experiência nas comunidades transformou minha compreensão da docência e mostrou que, quando a comunidade é reconhecida como produtora de conhecimento, a extensão deixa de ser apenas uma exigência curricular e passa a formar profissionais mais preparados para dialogar com a sociedade.
A extensão cria uma verdadeira “zona de contato” entre universidade e comunidade, onde diferentes experiências, saberes e expectativas se confrontam e se enriquecem mutuamente. É nesse espaço de mediação que surgem a escuta, a confiança, a troca de conhecimentos e, naturalmente, os conflitos, que precisam ser conduzidos de forma ética e colaborativa.
Contribuindo quantitativamente em projeção de dados futuros da extensão, exponho aqui algumas ações desenvolvidas pelos projetos extensionistas do Curso de Moda da UniAteneu. Entre 2024.1 e 2026.1, as ações envolveram um mínimo de 120 pessoas, com participação registrada nos relatórios institucionais, incluindo crianças, mulheres artesãs e grupos comunitários de diversos bairros. Entre elas, destaca-se o trabalho contínuo desenvolvido com cerca de 32 rendeiras de Águas Belas, acompanhadas em diferentes semestres por meio de ações de diagnóstico, formação, cocriação e devolutivas.
Mais do que ampliar o número de atendimentos, buscamos construir relações duradouras com as comunidades. O trabalho desenvolvido com as rendeiras de Águas Belas demonstra que a extensão universitária também se fortalece pela continuidade das ações e pela confiança construída entre universidade e comunidade. Dessa forma, ao longo dos cinco semestres é possível observar uma mudança na própria compreensão da extensão universitária.
Considero importante registrar essa trajetória, não apenas como memória institucional, mas como contribuição para o aperfeiçoamento das práticas extensionistas.
Assim, a extensão universitária cumpre o seu papel quando deixa de ser uma ação unilateral e passa a constituir uma mediação entre universidade e comunidade. Mais do que destinatária das ações acadêmicas, a comunidade passa a ser reconhecida como parceira na produção do conhecimento.
Profª. Vaneska da Silva Rebouças
Docente do Curso de Design de Moda do Centro Universitário Ateneu.
Tem MBA em Administração e Negócios e graduada em Design de Moda.
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