O perfil clássico do paciente com câncer de boca (homem, fumante e etilista) ainda é majoritário, mas está incompleto. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que tabaco e álcool respondem por cerca de 90% dos casos. Porém, cresce um novo grupo: jovens sem esses hábitos, cujo câncer está associado ao papilomavírus humano (HPV). Essa mudança exige que a formação em Odontologia atualize os seus protocolos de rastreamento.
Segundo a Estimativa 2026-2028 de Incidência de Câncer no Brasil, do Inca, o país deve registrar mais de 17 mil novos casos anuais de câncer de boca. Um dado preocupante: 76,3% dos diagnósticos ainda ocorrem em estágios avançados (III ou IV), quando o tratamento é mais agressivo e as chances de cura diminuem.
O tabagismo segue como o principal fator isolado, incluindo charuto, cachimbo e narguilé. Mia Hashibe e colaboradores, em estudo no periódico Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention, reuniram dados de 17 pesquisas caso-controle e comprovaram que a combinação entre tabaco e álcool produz efeito conjunto superior à soma dos riscos isolados, respondendo por 72% dos casos de câncer de cabeça e pescoço analisados.
A novidade é o crescimento dos casos ligados ao HPV, transmitido pelo sexo oral sem proteção, especialmente, entre jovens sem os fatores de risco tradicionais. Anil Chaturvedi e colaboradores, no Journal of Clinical Oncology, constataram que, enquanto os tumores associados ao tabaco caem, os relacionados ao HPV cresceram de forma expressiva no mesmo período.
Maura Gillison e colaboradores, também no Journal of Clinical Oncology, descreveram esse grupo como portador de perfil clínico distinto, com melhor resposta ao tratamento, pois o vírus destrói as defesas celulares, enquanto o tabaco causa mutações diretas, mais difíceis de reverter. Isso reforça a importância da vacinação contra o HPV nas campanhas de saúde bucal.
Os fatores de risco do câncer de boca não desapareceram: eles se diversificaram. Tabaco e álcool seguem protagonistas, mas o HPV já não é exceção. Atualizar esse conhecimento é questão de saúde pública e diferencial na formação de qualquer futuro dentista. Cursos de Odontologia com forte conexão com o mercado e apoio real à empregabilidade preparam seus alunos não só para tratar a doença, mas para preveni-la, e é esse compromisso que faz da UniAteneu uma instituição de ensino superior de destaque em Fortaleza
Referências Bibliográficas
CHATURVEDI, Anil K.; ENGELS, Eric A.; PFEIFFER, Ruth M. et al. Human papillomavirus and rising oropharyngeal cancer incidence in the United States. Journal of Clinical Oncology, v. 29, n. 32, p. 4294-4301, 2011.
GILLISON, Maura L.; CHATURVEDI, Anil K.; ANDERSON, William F.; FAKHRY, Carole. Epidemiology of human papillomavirus-positive head and neck squamous cell carcinoma. Journal of Clinical Oncology, v. 33, n. 29, p. 3235-3242, 2015.
HASHIBE, Mia; BRENNAN, Paul; CHUANG, Shu-Chun et al. Interaction between tobacco and alcohol use and the risk of head and neck cancer: pooled analysis in the International Head and Neck Cancer Epidemiology Consortium. Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention, v. 18, n. 2, p. 541-550, 2009.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Câncer de boca. Ministério da Saúde. Disponível em: gov.br/inca. Acesso em: 2026.
O TEMPO. Maio Vermelho: três em cada quatro casos de câncer de boca são diagnosticados tarde demais. Maio de 2026.
Prof. Me. Luiz Carlos Moreira Júnior
Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário Ateneu.
Mestre em Clínica Odontológica, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e graduado em Odontologia.
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