A redução da gordura localizada é um dos maiores desafios da Estética. Apesar do avanço das tecnologias e dos protocolos, muitos pacientes apresentam respostas limitadas. Essa realidade gera frustração de ambos os lados: no paciente e no profissional que, mesmo utilizando recursos de ponta, não alcança o resultado esperado.
Contudo, atribuir o sucesso apenas à tecnologia é uma visão limitada. A resposta clínica depende das condições metabólicas do paciente, frequentemente negligenciadas na avaliação. Torna-se essencial considerar marcadores biológicos que interferem diretamente na eficácia dos procedimentos.
Entre eles, destaca-se a resistência à insulina. Nela, a menor sensibilidade tecidual gera hiperinsulinemia compensatória, estimulando a lipogênese e inibindo a lipase hormônio-sensível, enzima que degrada os triglicerídeos nos adipócitos. O organismo permanece em um estado que favorece o acúmulo e dificulta a mobilização da gordura.
Incorporar a avaliação metabólica é um avanço para a Estética baseada em evidências. Compreender esses fatores permite individualizar protocolos, alinhar expectativas e fortalecer a atuação interdisciplinar. É hora de ampliar o foco. Antes de perguntar “Qual é a melhor tecnologia?”, deveríamos questionar: “O organismo deste paciente está metabolicamente preparado para responder ao tratamento?”. Essa mudança representa um novo paradigma, reconhecendo que resultados duradouros exigem equilíbrio metabólico para sustentar a resposta biológica aos procedimentos.
Profª. Carla Christina Pereira da Silva Godinho
Docente do Curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário Ateneu.
Mestra em Saúde Coletiva, especializanda em Biomedicina Estética, especialista em Saúde da Mulher e graduada em Fisioterapia.
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