Migração para nuvem: O que não contam?

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Nos últimos anos, o uso de ambientes de nuvem (cloud computing) para implementar aplicações, no lugar do tradicional “on-premise”, ou até mesmo fazer esta migração, tem se tornado tema frequente entre os responsáveis pela Tecnologia da Informação (TI) nas empresas. O mercado vende esta mudança como algo natural e “indolor”, mas na prática, uma decisão dessa envolve muita discussão interna antes de ser tomada; e uma vez decidida a mudança, é necessário muito planejamento, não só do ponto de vista técnico, mas também do ponto de vista financeiro.

Quando se fala em uso de ambientes de nuvens comerciais para aplicações empresariais, existem dois extremos: de um lado, um cenário em que o uso de nuvem é altamente indicado. Exemplo, uma startup que precisa colocar em produção uma aplicação 24×7 na Internet, mas que não tem infraestrutura própria de datacenter; no outro extremo da escala, temos o cenário em que outros critérios são mais importantes do que o custo, e que a mudança para a nuvem comercial não é indicada. Como exemplo, temos aplicações de caráter militar. Fora estes extremos, quem pensa em migrar está em algum lugar no meio desta escala e, portanto, precisa pensar bem sobre o assunto, antes de tomar a decisão de migrar, ou não.

Em muitos cenários, o primeiro obstáculo a ser superado, quando se decide fazer a migração, é a mudança de arquitetura das soluções de software. Diria até que este é o primeiro “dever de casa”. Para se obter o máximo de vantagem de um ambiente de nuvem, as aplicações precisam ser pensadas para trabalhar neste tipo de ambiente. Converter a arquitetura das soluções para uso de microsserviços e contêineres ajuda bastante na hora de migrar do “on-premise” para nuvem. E esta mudança pode ser feita em um contexto de atualização de arquitetura, sem necessariamente ter que se migrar para uma nuvem.

Outro aspecto a ser levado em conta é que durante a migração (e algum tempo depois), você terá que ter dois gastos: “on-premise” e nuvem. Até que o ambiente de nuvem esteja totalmente estável e funcional, você precisará manter, em paralelo e por algum tempo, seu ambiente “on-premise” funcional, para fins de contingência.

Outro aspecto ligado à parte financeira (e daí nasceu o termo “fin-ops”), é a forma como você irá provisionar a capacidade de hardware. A forma de você pensar o provisionamento desta capacidade, na nuvem, é totalmente diferente da forma como se faz em um ambiente “on-premise”. De forma resumida, no “on-premise”, você compra o hardware normalmente pensando em uma janela de cinco anos de uso; já em nuvem, você deve pensar em usar a “conta-do-chá”, sendo necessário monitorar o uso dos recursos para identificar a necessidade de provisionar mais capacidade, seja de forma sazonal, seja de forma orgânica, a fim de evitar gastos inesperados.

Com o exposto acima, vimos que uma migração de ambiente, do “on-premise” para uma nuvem comercial, sem dúvida tem suas vantagens, mas também tem seus desafios. Quanto maior o ambiente a ser migrado, mais aspectos necessitam ser levados em consideração antes de se decidir pela mudança.

Prof. Abívio Soares Pimenta
Docente do Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Administração e Segurança em Sistemas Computacionais e graduado em Redes de Computadores.

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