Farmacologia aplicada à Fisioterapia Gerontológica: riscos e a segurança do idoso em reabilitação

  • Categoria do post:Saúde
No momento, você está visualizando Farmacologia aplicada à Fisioterapia Gerontológica: riscos e a segurança do idoso em reabilitação

O envelhecimento populacional reflete a transição demográfica e epidemiológica contemporânea. Contudo, o aumento da expectativa de vida acompanha a prevalência de múltiplas enfermidades crônicas e a subsequente consolidação da polifarmácia, caracterizada pelo uso concomitante de cinco ou mais medicamentos (BRASIL, 2021).

Na prática fisioterapêutica voltada à recuperação funcional e ao controle do déficit motor ou algia crônica, o indivíduo idoso apresenta um perfil terapêutico marcado por esquemas posológicos complexos. A análise interdisciplinar dessa regulação farmacológica é indispensável para mensurar as suas repercussões diretas sobre o programa de reabilitação física.

Diferentes classes farmacológicas empregadas na geriatria, como anti-hipertensivos, sedativo-hipnóticos, analgésicos opioides e relaxantes musculares, apresentam alto potencial para o surgimento de Reações Adversas a Medicamentos (RAM) que afetam a função neuromotora (AGS, 2023). Manifestações como hipotensão ortostática, sonolência residual, ataxia e déficit de força aumentam significativamente o risco de quedas.

Para balizar a identificação desses riscos na gerontologia, destaca-se a aplicação dos Critérios de Beers elaborados pela Sociedade Americana de Geriatria (AGS, 2023). Essa diretriz elenca os Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) para idosos, fornecendo ao fisioterapeuta um parâmetro científico para reconhecer fármacos com elevado potencial de induzir sedação, rigidez extrapiramidal e instabilidade postural, refinando a triagem de segurança antes da prescrição dos exercícios.

Durante as intervenções cinesioterapêuticas, a instabilidade postural ou a intolerância prematura ao exercício podem decorrer de intoxicação ou efeito colateral, e não necessariamente da progressão nosológica ou de alteração musculoesquelética prévia. Ademais, a ocorrência de cascatas de prescrição, situação em que um efeito adverso medicamentoso é interpretado equivocadamente como uma nova condição patológica, gerando a adição de um novo fármaco, amplifica os riscos de perda funcional e desacelera o prognóstico cinético-funcional do paciente geriátrico.

Paralelamente, as alterações farmacocinéticas próprias do envelhecimento, como a redução da filtração glomerular e da taxa metabólica hepática, alteram a meia-vida dos princípios ativos, prolongando a exposição do organismo a toxicidades neuromusculares durante os treinos funcionais e cinesioterapêuticos.

Nesse contexto, o conhecimento aprofundado em Farmacologia pelo fisioterapeuta consolida-se como um pilar essencial de segurança do paciente e precisão clínica. Conscientes dessa exigência do mercado e da saúde pública, os professores do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu (UniAteneu) têm demonstrado um cuidado constante na integração dos conteúdos farmacológicos ao raciocínio cinesiológico, promovendo uma formação sólida e crítica aos acadêmicos.

Essa convergência pedagógica assegura que o futuro profissional saiba correlacionar a resposta clínica ao medicamento administrado, garantindo que o esquema farmacológico atue de forma sinérgica à restauração da autonomia e da funcionalidade corporal.

Referências Bibliográficas

AMERICAN GERIATRICS SOCIETY (AGS). American Geriatrics Society 2023 Updated AGS Beers Criteria® for Potentially Inappropriate Medication Use in Older Adults. Journal of the American Geriatrics Society, v. 71, n. 7, p. 2052-2081, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado à pessoa idosa no SUS: a saúde da pessoa idosa e a polifarmácia. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

Profª. Drª. Ana Isabelle de Gois Queiroz
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora e mestre em Farmacologia com ênfase em Neuropsicofarmacologia, especialista em Farmacologia Clínica, cursando a Especialização em Farmacologia Clínica e Serviços Farmacêuticos com habilitação em docência no ensino superior e graduada em Farmácia.

Conheça mais sobre o Curso de Fisioterapia da UniAteneu.