Nos últimos anos, os suplementos nutricionais deixaram de ser restritos a pessoas com necessidades específicas e passaram a ocupar espaço nas prateleiras de farmácias, supermercados e, sobretudo, nas redes sociais. Whey protein, creatina, vitaminas, minerais, cápsulas ditas naturais e pós com diferentes promessas anunciam mais energia, fortalecimento da imunidade, emagrecimento rápido e até prevenção de doenças.
Diante desse cenário, surge um questionamento inevitável: suplementar é sempre uma boa escolha? Os suplementos nutricionais podem, de fato, desempenhar papel relevante na promoção da saúde quando corretamente indicados. No entanto, o uso sem critério, em doses elevadas ou sem acompanhamento profissional, pode transformar um recurso potencialmente benéfico em fator de risco.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suplementos alimentares são produtos destinados a complementar a alimentação de indivíduos saudáveis, fornecendo nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos. Esse conceito reforça que o suplemento não substitui a alimentação, mas atua como complemento (ANVISA, 2018). Assim, o uso de suplementos deve ser precedido pela avaliação do consumo alimentar habitual, visto que, em muitos casos, uma dieta equilibrada e bem orientada é suficiente para suprir as necessidades nutricionais.
A suplementação torna-se indicada em situações específicas, como deficiências nutricionais comprovadas, fases particulares do ciclo de vida, prática esportiva intensa ou determinadas condições clínicas, nas quais pode atuar como apoio estratégico à saúde. Ainda assim, a decisão deve considerar a individualidade biológica, uma vez que as necessidades nutricionais variam conforme idade, sexo, padrão alimentar, nível de atividade física, condições de saúde e fatores genéticos.
Dessa forma, um suplemento benéfico para um indivíduo pode não ser adequado para outro no mesmo momento, tornando indispensável o acompanhamento profissional. Por outro lado, o consumo indiscriminado apresenta riscos. Altas doses de vitaminas e minerais, prática cada vez mais comum, não representam maior proteção à saúde e podem resultar em sobrecarga hepática e renal, interações medicamentosas, desequilíbrios nutricionais e efeitos tóxicos.
Nesse contexto, o nutricionista exerce papel central na orientação sobre o uso de suplementos nutricionais, considerando a alimentação habitual, a individualidade biológica e as necessidades específicas de cada indivíduo. Conforme o Conselho Federal de Nutrição, o nutricionista é o profissional legalmente habilitado para realizar a prescrição e o acompanhamento nutricional, incluindo a indicação de suplementos quando necessários.
Cabe a esse profissional traduzir a ciência da Nutrição em estratégias alimentares e de suplementação seguras, individualizadas e baseadas em evidências científicas, assegurando não apenas benefícios imediatos, mas também a proteção da saúde a curto, médio e longo prazo.
REFERÊNCIAS:
ANVISA – AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243, de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre os requisitos sanitários dos suplementos alimentares. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 jul. 2018.
CFN – CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº 656, de 15 de junho de 2020. Regulamenta a prescrição dietética de suplementos alimentares pelo nutricionista e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 jun. 2020.
Prof. Dr. Cícero Matheus Lima Amaral
Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Ateneu.
Doutor em Biotecnologia, especialista em Docência do Ensino Superior em Nutrição e graduado em Nutrição.
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