Tabus e crenças na saúde feminina: contribuições da Fisioterapia Pélvica para o cuidado integral da mulher

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  1. Introdução

Falar sobre saúde da mulher ainda é, em muitos contextos, atravessar um território cercado por tabus, silêncios e crenças culturalmente construídas. Menstruação, sexualidade, dor pélvica, incontinência urinária, disfunções sexuais e alterações do climatério seguem sendo temas frequentemente naturalizados, minimizados ou tratados como “destino feminino”. Nesse cenário, a Fisioterapia Pélvica emerge não apenas como uma especialidade clínica, mas como uma prática profundamente educativa, emancipatória e social.

  1. Desenvolvimento

Historicamente, o corpo feminino foi associado à ideia de fragilidade, vergonha e silêncio. Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor durante a menstruação é normal, que perder urina após a maternidade é consequência inevitável do parto, ou que a redução do desejo sexual com o envelhecimento deve ser aceita sem questionamentos.

A naturalização do sofrimento leva ao atraso na busca por cuidados, à automedicação, ao isolamento social e, frequentemente, à piora progressiva dos sintomas. Além disso, o tabu dificulta o diálogo até mesmo dentro dos serviços de saúde, onde queixas relacionadas ao assoalho pélvico podem ser subvalorizadas ou negligenciadas.

Reconhecer que essas barreiras não são apenas individuais, mas estruturais e culturais, é um passo essencial para uma prática ética e sensível às demandas reais das mulheres. Dor pélvica crônica, dispareunia, vaginismo, incontinências e disfunções anorretais, por exemplo, frequentemente coexistem com sentimentos de culpa, medo, vergonha e baixa autoestima.

Ignorar esses elementos significa reduzir o cuidado a protocolos técnicos, distanciando-se do princípio da integralidade que orienta a atuação em saúde. É nesse ponto que a Fisioterapia Pélvica se diferencia: ao trabalhar com um território corporal intimamente ligado à identidade, à sexualidade e à autonomia, o fisioterapeuta é constantemente convocado a ampliar o seu olhar para além do músculo.

Cada atendimento é, também, um espaço potente de educação em saúde. Ao explicar o funcionamento do assoalho pélvico, desmistificar crenças e validar queixas frequentemente silenciadas, o profissional contribui diretamente para a reconstrução da relação da mulher com o seu próprio corpo.

  1. Conclusão

Romper tabus e desconstruir crenças sobre a saúde da mulher é um desafio coletivo, que exige profissionais comprometidos não apenas com a técnica, mas com a escuta, a educação e a transformação social. O fisioterapeuta pélvico ocupa um lugar estratégico nesse processo, atuando na fronteira entre o corpo, a subjetividade e a autonomia feminina. Para além de tratar sintomas, cabe a esse profissional contribuir para que mulheres reconheçam que dor, perda funcional e sofrimento não são destinos inevitáveis. São condições que podem, e devem, ser cuidadas com ciência, sensibilidade e respeito.

Profª. Drª. Denise Gonçalves Moura Pinheiro
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora em Cuidado em Saúde, mestra em Medicina Preventiva e graduada em Fisioterapia.

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