A Tens ainda é subestimada no controle da dor?

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A Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (Tens) ainda é subestimada, embora seja um recurso não invasivo, seguro, de baixo custo e aplicável ao controle da dor. No contexto da Fisioterapia, não deve ser considerada um recurso secundário, mas uma estratégia terapêutica relevante para reduzir o sofrimento, favorecer a funcionalidade e contribuir para a reabilitação.

A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, multidimensional e influenciada por fatores sensoriais, emocionais, cognitivos e socioculturais. Por isso, o seu manejo exige mais do que uma intervenção medicamentosa isolada. A Tens atua na modulação da dor por mecanismos segmentares e descendentes, fundamentados na Teoria do Controle do Portão e na ativação de vias inibitórias neurofisiológicas.

Entretanto, o uso clínico da Tens depende da seleção adequada dos parâmetros de estimulação. Frequência, duração do pulso, amplitude e posicionamento dos eletrodos influenciam diretamente os resultados terapêuticos. Em outras palavras, a eficácia não depende apenas do aparelho, mas também da forma como ele é aplicado. Existem modalidades distintas descritas na literatura, como Tens convencional, Tens do tipo acupuntura, burst e breve-intensa, cada uma com características, indicações e respostas clínicas específicas.

As evidências científicas reforçam a relevância da técnica. Há resultados favoráveis em condições como dor pós-operatória, osteoartrite de joelho, dismenorreia, fibromialgia, dor lombar crônica e enxaqueca. Entretanto, alguns desfechos permanecem inconclusivos em determinadas populações, o que demonstra a necessidade de uma aplicação criteriosa e individualizada.

Uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu 381 estudos e 24.532 participantes encontrou evidência de certeza moderada de que a Tens reduz a intensidade da dor durante ou imediatamente após a sua aplicação, sem registro de eventos adversos graves. Esses dados sustentam uma opinião clara: a Tens é subestimada quando tratada como um recurso “simples demais” para a prática clínica.

Na realidade, trata-se de uma ferramenta com base fisiológica consistente, acessível e útil, desde que empregada com raciocínio clínico, avaliação adequada e respeito às contraindicações e precauções. O seu uso não deve ocorrer de forma automática, mas integrar um plano terapêutico fundamentado nas características da dor e nas necessidades de cada paciente.

Em síntese, a Tens merece maior valorização no controle da dor por reunir fundamentação científica, segurança e aplicabilidade prática. O seu uso responsável pode ampliar as possibilidades terapêuticas da Fisioterapia e contribuir para uma abordagem mais eficaz da dor aguda e crônica, especialmente, quando inserido em estratégias individualizadas e baseadas em evidências.

Referências Bibliográficas

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LIEBANO, Richard E. TENS: guia científico e clínico para o controle da dor. [S. l.]: [s. n.], 2026. E-book.

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Profª. Drª. Paula Pessoa de Brito Nunes
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu.
Doutora e mestra em Saúde Coletiva, especialista em Fisioterapia Dermatofuncional e em Fisioterapia Neurológica Funcional e graduada em Fisioterapia.

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