Os cosméticos coreanos deixaram de ser uma tendência restrita aos jovens influenciados pela cultura K-pop para se consolidarem como uma importante influência na Cosmetologia brasileira. Mais do que embalagens atrativas ou rotinas de skincare em múltiplas etapas, a chamada K-Beauty representa uma mudança na forma como consumidores e profissionais compreendem a prevenção do envelhecimento cutâneo, a saúde da pele e a inovação cosmética.
Na minha opinião, esse interesse vai além da influência da cultura pop sul-coreana. Ele está relacionado à admiração pelos resultados alcançados nos cuidados com a pele pela população coreana, frequentemente associada à aparência saudável e ao envelhecimento cutâneo mais tardio. Esse cenário desperta a curiosidade dos consumidores brasileiros e fortalece a busca por estratégias de prevenção, em vez de apenas tratamentos corretivos.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores mercados consumidores de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos do mundo, sendo responsável por cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional nesse segmento. Em 2025, o setor brasileiro registrou um marco histórico ao ultrapassar US$ 1 bilhão em exportações, resultado 20% superior ao ano anterior, demonstrando a força e o dinamismo da indústria nacional de beleza.
Paralelamente, a Coreia do Sul consolidou-se como uma das maiores potências mundiais em inovação cosmética. O sucesso da K-Beauty está relacionado aos elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, à utilização de ingredientes bioativos, como centella asiática, niacinamida, fermentados e mucina de caracol, além de tecnologias voltadas à preservação da barreira cutânea e à prevenção do envelhecimento.
Nos últimos anos, as marcas coreanas ampliaram significativamente a sua presença nos mercados americano, europeu e latino-americano, impulsionadas pela combinação entre qualidade, inovação, preços competitivos e influência da cultura sul-coreana. Na prática clínica, observa-se que muitos desses ativos possuem respaldo científico para hidratação, reparação da barreira cutânea, controle da inflamação e melhora da qualidade da pele.
Entretanto, é importante destacar que nenhum cosmético deve ser indicado apenas por sua popularidade nas redes sociais. A escolha do produto deve considerar a avaliação individual da pele, as evidências científicas disponíveis e a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo segurança e eficácia ao tratamento.
Esse cenário amplia também as oportunidades para os profissionais da Estética e Cosmética. O mercado demanda especialistas capazes de interpretar evidências científicas, compreender mecanismos de ação dos ativos e selecionar protocolos personalizados. Dessa forma, instituições de ensino superior com forte conexão com o mercado e foco na formação prática desempenham papel fundamental na qualificação dos futuros cosmetólogos.
Em síntese, a influência dos cosméticos coreanos vai além de uma tendência de consumo. Ela representa uma transformação na Cosmetologia contemporânea, estimulando inovação, pesquisa científica e atualização profissional. Compreender esse fenômeno é essencial para formar profissionais preparados para um mercado cada vez mais exigente, tecnológico e orientado por evidências.
Profª. Marina de Araújo Martins
Docente do Curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Cosmetologia e graduada em Estética e Cosmética.
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