Educação Física: posicionamento e valorização profissional

  • Categoria do post:Saúde
No momento, você está visualizando Educação Física: posicionamento e valorização profissional

Falar sobre valorização da Educação Física é falar também sobre a forma como nós, profissionais, ocupamos nossos espaços. Ao longo dos anos, acompanhei mudanças importantes na profissão. A Educação Física deixou de estar restrita à imagem do esporte, da academia ou daquele profissional associado apenas a um corpo esteticamente definido. Hoje, a nossa atuação está presente na educação, na saúde, no treinamento, no esporte e em diferentes áreas relacionadas à qualidade de vida.

Mesmo assim, ainda convivemos com uma visão limitada sobre o que fazemos. Muitas vezes, o conhecimento e a responsabilidade envolvidos na nossa atuação não são reconhecidos. E acredito que parte dessa mudança precisa partir de nós. Um profissional bem formado, atualizado e consciente de sua responsabilidade precisa reconhecer o próprio valor e saber mostrar à sociedade a importância do seu trabalho.

Em uma revisão sistemática de 2025, sobre identidade profissional de professores de Educação Física, demonstram que essa identidade é construída ao longo da formação e das experiências profissionais. Isso reforça uma questão que considero fundamental: nossa identidade profissional também depende da maneira como nos posicionamos e do reconhecimento que construímos nos diferentes espaços de atuação.

Outro ponto precisa ser colocado em discussão: quem representa esse profissional? A profissão é regulamentada pela Lei nº 9.696/1998, atualizada pela Lei nº 14.386/2022. A legislação estabelece competências para o Conselho Federal de Educação Física (Confef) e os Conselhos Regionais de Educação Física (Crefs) relacionadas à organização, orientação e fiscalização do exercício profissional. Aos conselhos regionais compete de maneira fundamental fiscalizar o exercício profissional em suas respectivas áreas de atuação.

Diante disso, considero legítimo que nós, profissionais, façamos algumas perguntas: Como está sendo realizada essa fiscalização? Ela está chegando onde precisa chegar? O profissional que paga a sua anuidade consegue acompanhar o trabalho realizado pelo conselho? Existe retorno para a categoria? As dificuldades de quem está diariamente no mercado de trabalho estão sendo ouvidas?

Não faço essas perguntas para desmerecer o papel dos conselhos. Pelo contrário. Uma profissão regulamentada precisa de instituições fortes e atuantes. Mas quem representa uma categoria também precisa estar próximo dela, ouvir as suas demandas, prestar contas e mostrar resultados. Fiscalizar é fundamental, mas o profissional também precisa perceber que existe uma instituição trabalhando pelo fortalecimento e pela valorização da profissão.

Acredito que a Educação Física precisa de profissionais mais participativos. Precisamos fazer nossa parte, buscando formação, conhecimento, ética e competência, mas também precisamos acompanhar e cobrar daqueles que receberam da categoria a responsabilidade de representá-la.

Referências Bibliográficas

 

ANVERSA, A. L. B. et al. Identidade profissional de professores de educação física: uma revisão sistemática. Educação e Pesquisa, v. 51, 2025.

FONSECA, R. G.; SOUZA NETO, S. Educação Física, profissionalização e mercado de trabalho: uma análise sobre o projeto profissional. Movimento, 2022.

BRASIL. Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998, com alterações da Lei nº 14.386, de 27 de junho de 2022.


Profª. Ma. Cristiane Gomes de Souza Campos

Coordenadora do Curso de Educação Física do Centro Universitário Ateneu.

Mestra em Educação e Ensino, especialista em Treinamento Funcional e Especializado e graduada em Educação Física.

Saiba mais sobre o Curso de Educação Física da UniAteneu.