Quando ouvimos a palavra “anatomia”, pensamos primeiramente nas formas corporais, órgãos e estruturas de seres humanos e animais. Contudo, a importância e a utilidade da anatomia vão muito além do simples conhecimento das partes do corpo. Na Medicina Veterinária, a anatomia constitui o fundamento essencial para a prática clínica e para a interpretação correta dos métodos diagnósticos.
O conhecimento detalhado da estrutura corporal, as suas variações entre espécies e as suas relações topográficas permite ao médico-veterinário reconhecer o que é normal, identificar alterações morfológicas e construir hipóteses diagnósticas consistentes. No exame clínico, a inspeção, palpação, ausculta e percussão só adquirem significado quando o profissional domina a anatomia saudável, pois qualquer assimetria, aumento de volume, deslocamento ou alteração de textura depende dessa referência anatômica para ser interpretada.
No diagnóstico por imagem, a importância da anatomia torna-se ainda mais evidente. Radiografias, ultrassonografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e outros métodos são, essencialmente, representações anatômicas obtidas por diferentes princípios físicos. Para interpretá-las, é necessário reconhecer formas, densidades, limites, proporções e relações espaciais, elementos que só podem ser compreendidos por meio de uma sólida formação em anatomia.
Assim, o diagnóstico por imagem pode ser entendido como uma ciência anatômica aplicada, na qual cada corte, janela ou padrão ecogênico depende da compreensão e do domínio preciso da anatomia e de suas variações. Podemos afirmar, neste caso, que a ciência do diagnóstico por imagem é anatômica ou morfológica. Na verdade, ao observar uma imagem diagnóstica, qualquer que seja o método, tudo o que vemos é anatomia. E qualquer achado que leve a um diagnóstico é resultado de uma alteração nessa anatomia.
No Brasil, e particularmente no Ceará, observa-se uma expansão significativa das modalidades de diagnóstico por imagem disponíveis na Medicina Veterinária. Radiologia digital, ultrassonografia avançada, ecocardiografia, tomografia computadorizada e, em centros especializados, ressonância magnética, ampliam a capacidade diagnóstica e exigem profissionais cada vez mais preparados. Esse avanço tecnológico reforça a necessidade do domínio anatômico, pois quanto mais sofisticado o exame, maior a demanda por uma interpretação precisa.
Dessa forma, a anatomia veterinária não é apenas uma disciplina básica, mas o eixo estruturante do raciocínio clínico e da interpretação por imagem. Investir em uma formação anatômica sólida significa promover diagnósticos mais seguros, tratamentos mais eficazes e uma prática veterinária alinhada às exigências da medicina moderna.
Prof. Dr. Helson Freitas da Silveira
Docente do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Ateneu.
Doutor e mestre em Ciências Morfofuncionais, especialista em Vigilância Sanitária de Alimentos e em Anatomia e Patologia e graduado em Medicina Veterinária.
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