Engajamento acadêmico para além da aula

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Imagine que você é estudante de graduação e pretende concluir o seu curso exclusivamente por meio das aulas oferecidas em cada disciplina. Haveria experiência curricular e extracurricular suficiente para lhe preparar para a atuação profissional ética, crítica e resolutiva? Para tomadas de decisão ou elaboração de um planejamento assertivo voltado a uma dada política pública ou projeto? A resposta para tais indagações, ou ao menos uma delas está na explanação que esse artigo realiza.

Refletir o percurso acadêmico em quaisquer cursos requer compreender que a experiência educacional deve revelar muito mais caminhos para alcance da robustez de um portfólio. Para além disso, espera-se que o sujeito em formação se permita engajar em atividades que vão além da aula propriamente dita: ligas acadêmicas, grupos de pesquisa ou de estudos e projetos de extensão. Todos promovem uma transformação profunda na concepção dos participantes acerca do que ocorre entre o objeto de suas profissões e o que se discute teoricamente, bem como se ressignifica a partir da interação entre os pares.

Um fato considerável nessa interação é a implementação da atividade extensionista no ensino superior como uma das vivências acadêmicas embasadas pela Resolução nº 07 de 18 de dezembro de 2018. Outro exemplo são as ligas acadêmicas, baseadas no tripé ensino, pesquisa e extensão, permitindo assim a circulação de rotinas de estudos complementares à graduação e execução de práticas junto à comunidade (acadêmica ou não). Grupos de pesquisa ou estudos também integram esse cenário de expansão da experiência curricular, se debruçando nas múltiplas possibilidades de lapidação dos conceitos e modos de abordagem.

Ao estudante ou à estudante, cabe vislumbrar que seu percurso na universidade exige a transversalidade de diálogos, a multidisciplinaridade e a multiprofissionalidade como elementos capazes de ampliar a sua visão sistêmica e crítica, favorecendo um achegamento às demandas capitalistas que o mercado gera, ainda que de forma restrita.

Disciplinas isoladas não são capazes de suprir integralmente os passos que uma formação profissional oferece. É necessário ocupar espaços coletivos de discussão teórico-prática, compor grupos coesos que possibilitem confrontar ideias, reunir-se para além do conforto da sala de aula ou de um ambiente profissional.

Ver o mundo ainda é uma boa forma de analisar como se materializam as problemáticas e sobre elas, dialeticamente manifestar-se, dispor-se, colaborativamente. Obviamente essa decisão de vínculo parte do acadêmico ou acadêmica, mas torna-se preponderante na rotina daqueles que almejam um diferencial após a graduação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 07, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta o disposto na Meta 12.7 da Lei nº 13.005/2014. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=104251-rces007-18&category_slug=dezembro-2018-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 10.ago.2026.

GONSALVES, D. G. et al. Ligas acadêmicas em saúde: uma revisão sistemática e proposta de checklist norteador de novos estudos. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 48, n. 1, p. e001, 2024.

Prof. Me. Ediney Linhares da Silva
Docente do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Ateneu.
Mestre em Ensino na Saúde, tem MBA Executivo em Saúde, é especialista em Políticas Públicas, Gestão e Serviços Sociais, em Gestão da Educação e em Dança e Educação e graduado em Serviço Social.

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