Melhorar, medir e contabilizar: a tríade da qualidade aplicada

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Introdução

Deming ensina que não se gerencia o que não se mede. Juran lembra que a qualidade é responsabilidade da gestão. Ishikawa mostra que a causa do problema costuma estar no processo, não nas pessoas. Garvin sistematiza dimensões úteis à decisão, e Crosby reforça a prevenção como economia real. Na Administração, vantagem competitiva nasce da execução disciplinada.

Exemplo: um e-commerce, com NPS em queda, mapeia a jornada do cliente e mede Otif e taxa de reentrega antes de redesenhar logísticas e contratos.

Desenvolvimento

Aplicabilidade prática exige mapa de processos, indicadores (Otif, lead time, ppm, first pass yield) e auditorias internas. A contabilidade traduz impacto econômico: CPC 00 (R2) ancora utilidade e comparabilidade; CPC 16 orienta custo padrão, perdas e ajustes; CPC 27 sustenta decisões de manutenção e modernização; CPC 06 orienta arrendamentos de inspeção automatizada; CPC 01 evita ativos superavaliados; CPC 46 suporta avaliações ligadas a desempenho; e ISO 9001 fortalece evidências, riscos e oportunidades.

Exemplo: ao arrendar sistemas de visão computacional, a empresa corta devoluções, reduz capital imobilizado e melhora margem por menor desconto comercial e menor custo da não qualidade.

Conclusão

Qualidade só se sustenta quando cruza o chão de fábrica (ou operações de serviço) com os demonstrativos financeiros. Medir, aprender e corrigir mais rápido reduz riscos, amplia confiança e viabiliza crescimento. Integração com governança, controles internos (NBC/COSO) e ESG potencializa resultados e transparência.

Exemplo: uma clínica adota padronização de atendimento, monitora tempos de ciclo e incidentes, ajusta provisões e evidencia melhorias em caixa e satisfação. Ao aluno cabe dominar PDCA, causa raiz e leitura do DRE e do fluxo de caixa, convertendo dados em decisão e decisão em valor.

Resumo dos principais insights e contribuição

  • Qualidade é processo medido (PDCA, Juran, Ishikawa) e decisões visíveis na Contabilidade (CPC 00, 16, 27, 06, 01, 46).
  • ISO 9001 estrutura processos, evidências e gestão de riscos/oportunidades.
  • Integração Qualidade–Operações–Finanças–Contabilidade sustenta margem, caixa e reputação.
  • Lean e dados confiáveis reduzem custo da não qualidade e aceleram o aprendizado.

Competências e habilidades desenvolvidas

  • Conectar indicadores operacionais ao DRE/Fluxo de Caixa.
  • Conduzir PDCA, análise de causa raiz e padronização.
  • Aplicar CPCs/NBCs e ISO 9001 na tomada de decisão.
  • Comunicar resultados com clareza, ética e orientação a dados.

Referências

CROSBY, P. B. Qualidade é investimento. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.
DEMING, W. E. Out of the Crisis. Cambridge, MA: MIT Press, 1986.
GARVIN, D. A. Managing Quality. New York: Free Press, 1988.
ISHIKAWA, K. Controle da qualidade total. São Paulo: IMC, 1993.
JURAN, J. M. Juran on Quality by Design. New York: Free Press, 1992.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 9001:2015 – Sistemas de gestão da qualidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 00 (R2), CPC 16, CPC 27, CPC 06, CPC 01, CPC 46. Brasília: CPC, diversas datas.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBCs – Normas Brasileiras de Contabilidade. Brasília: CFC.

Profª. Adriana de Oliveira Sousa Freitas
Docente do Curso de Logística do Centro Universitário Ateneu.
Especialista em Serviços Executivos, Administração de Negócios e Didática do Ensino Superior.

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