Nas últimas décadas, as redes sociais passaram a fazer parte integral da vida cotidiana de bilhões de pessoas, influenciando a forma como nos comunicamos, nos relacionamos e consumimos informação. O uso excessivo dessas plataformas tem sido associado a vários efeitos cognitivos e comportamentais, incluindo alterações na atenção, na regulação emocional e em funções executivas do cérebro. Estudos de neurociência indicam que a exposição prolongada a conteúdos digitais pode alterar padrões de atividade cerebral relacionados ao processamento emocional e à atenção sustentada (ANDRADE; ALVES, 2024).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o uso de telas e redes sociais tem efeitos mistos na saúde mental de crianças e adolescentes, com evidências de uso problemático associado a pior bem-estar psicológico em certos grupos etários. O relatório “Teens, screens and mental health” da OMS documenta que um percentual crescente de adolescentes apresenta comportamentos de uso problemático de mídias sociais, definidos por sintomas semelhantes a dependência, como incapacidade de controlar o uso e negligência de outras atividades importantes. Esses padrões têm sido associados a pior qualidade do sono e menor bem-estar geral. A OMS enfatiza a importância da alfabetização digital para maximizar os benefícios e minimizar os riscos associados à vida digital (OMS, 2024).
Diversas pesquisas documentam que o uso frequente e desregulado das redes sociais pode fragmentar a atenção e reduzir a produtividade. A constante alternância entre tarefas da vida real e estímulos digitais fragmenta o foco, tornando mais difícil manter atenção prolongada em tarefas complexas e intensivas. Entre os mecanismos envolvidos estão as interrupções frequentes por notificações e a tendência de multitarefa, que prejudicam o processamento cognitivo profundo necessário para trabalhos que exigem concentração sustentada.
O uso intenso de redes sociais também está fortemente associado a sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios no sono. Estudos epidemiológicos e revisões sistemáticas indicam que pessoas que passam várias horas por dia conectadas apresentam maiores probabilidades de estresse psicológico, baixa autoestima e insônia quando comparadas a usuários moderados ou não usuários, especialmente, entre adolescentes e jovens adultos (SIGNORATI, 2025; COSTA et al., 2024).
Em síntese, a literatura atual indica que o uso de redes sociais apresenta um impacto multifacetado: ao mesmo tempo em que pode favorecer conexão social e acesso a informações úteis, o seu uso excessivo ou mal regulado está associado à redução da produtividade, alterações cognitivas e comportamentais e sintomas de sofrimento psicológico como ansiedade, depressão e distúrbios do sono. O entendimento desses efeitos é essencial para orientar políticas públicas, práticas educativas e hábitos individuais mais saudáveis no uso das mídias sociais, especialmente, entre populações vulneráveis como crianças e jovens.
ANDRADE, T. P.; ALVES, N. A. Conectividade e saúde mental: como as redes sociais influenciam o bem-estar psicológico dos usuários. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Mental. Portal Gov.br. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental?utm_source= Acesso em: 20 jan. 2026.
COSTA, R. V. H. et al. A relação entre o uso excessivo de redes sociais e a saúde mental dos jovens. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 7, p. 2602-2611, 2024. DOI:10.36557/2674-8169.2024v6n7p2602-2611.
SIGNORATI, M. The impact of social media on mental health: a narrative literature review. Research, Society and Development, 2025. DOI:10.33448/rsd-v14i12.50289.citeturn0search5
WORLD HEALTH ORGANIZATION – OMS. Teens, screens and mental health. WHO Regional Office for Europe, 25 set. 2024. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-09-2024-teens-screens-and-mental-health. Acesso em: 20 jan. 2026.
Profª. Drª. Aline Mesquita Lemos
Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Ateneu.
Doutora em Saúde Coletiva, mestra em Enfermagem, especialista em Atenção ao Paciente Crítico: Urgência, Emergência e UTI, em Saúde Mental e em Saúde da Família e graduada em Enfermagem.
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