O assistente social na residência multiprofissional: entre a integralidade e a defesa de direitos

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Introdução

De acordo com a Lei nº 11.129 de 2005, “§ 1º A Residência […] constitui-se em um programa de cooperação intersetorial para favorecer a inserção qualificada dos jovens profissionais da saúde no mercado de trabalho […].” (BRASIL, 2005). A Residência Multiprofissional em Saúde (RMS) consolidou-se, nas últimas décadas, como uma estratégia fundamental de formação em serviço e educação permanente.

Para o Serviço Social, esse espaço não é apenas um campo de aprendizado, mas um “front” de resistência em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Atuar de forma multiprofissional exige que o assistente social reafirme a sua identidade profissional, fugindo do papel de mero “executor de encaminhamentos” para se tornar um articulador da integralidade do cuidado, pautando a sua atuação no código de ética profissional, no projeto ético político do Serviço Social e nas legislações do SUS.

Desenvolvimento

O assistente social na RMS atua nos diversos campos havendo a intersetoriedade integrando a rede e participando ativamente da rede de serviços socioassistenciais.

  • Transdisciplinaridade: integração entre o usuário, a família e a equipe de saúde.
  • Na articulação da rede: Garantindo que tenha uma articulação com os diversos equipamentos de saúde, assistência, educação entre outros.
  • Na garantia do acesso: Informando e viabilizando o acesso a benefícios previdenciários e assistenciais.
  • Em atividades de promoção e prevenção a saúde: Através de rodas de conversas, palestra e atividades que possam promover o acesso a informações e prevenção da saúde.
  • Controle social: Incentivando os usuários a participarem de espaços de controle social, tais como conselhos, conferências, fórum de usuários entre outros espaços de controle social. 

Conclusão

A atuação do assistente social na residência multiprofissional é um exercício diário de militância profissional. Saliento que a presença nessas equipes é o que garante que o SUS não seja apenas um sistema de “cura”, mas um sistema de cidadania. Precisamos ocupar esses espaços com rigor teórico e compromisso ético, lembrando sempre que a saúde é um direito social e não uma mercadoria. A residência nos molda, mas nós também moldamos a residência ao imprimir nela a marca da justiça social.

Concluo que a saúde no Brasil é um espelho das diversas expressões da questão social. Para uma parcela expressiva da classe trabalhadora, a enfermidade não é um evento biológico isolado, mas a materialização de condições precárias de existência, da dificuldade de acesso a ações preventivas e da desarticulação de uma rede de cuidados que, muitas vezes, apresenta-se fragmentada e focalizada.

Nesse contexto, ao utilizarmos o cotidiano dos serviços como espaço de ensino-aprendizagem, é imperativo adotar estratégias que problematizem as práticas profissionais. Devemos estruturar modelos de cuidado que transcendam o indivíduo, alcançando as dimensões coletivas e fortalecendo o controle social no SUS.

Profª. Ma. Aline Braúna dos Santos
Coordenadora do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Ateneu.
Mestra em Ensino na Saúde, especializanda em Elaboração de Projetos Sociais e Captação de Recursos, em Gestão em Saúde e em Auditoria nos Serviços de Saúde, especialista em Residência Multiprofissional em Saúde e em Saúde da Família e graduada em Serviço Social.

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