Introdução
Nos últimos tempos, e principalmente após a pandemia da Covid-19, houve um aumento no número de pessoas em busca da prática de atividades físicas nos mais diferentes contextos: caminhadas, ginásticas, diferentes tipos de treinamento entre outros. Nesse contexto, a cidade de Fortaleza aumentou substancialmente o número de academias, ofertando diferentes oportunidades de prática e para variados públicos.
Apesar do crescimento, não houve uma adaptação ou cuidado a respeito de como os responsáveis pelos espaços e/ou seus profissionais que estão nesses ambientes, realizam a triagem das pessoas e os acompanham a partir do resultado. Dessa forma, parece que o cenário é de pessoas com diferentes possibilidades clínicas, realizando práticas de atividades físicas com diferentes volumes e intensidades. Esse cenário, com aumento de praticantes sem uma triagem adequada, pode favorecer a ocorrência de eventos indesejados de morte súbita durante a atividade física.
Desenvolvimento
No intervalo de tempo entre 2016 até o momento, de acordo com matérias de jornais, houve 11 casos de mortes durante a prática de atividades físicas. Nesse contexto, parece que devemos nos atentar à triagem pré-participação à prática de atividade física, para ofertarmos uma prática segura e benéfica. Na diretriz do Colégio Americano de Medicina do Esporte (2023), as lesões músculo-esqueléticas são as complicações mais comuns relacionadas à atividade física.
Para além dessas complicações existem os eventos cardiovasculares adversos, como morte súbita cardíaca e infarto agudo do miocárdio, que por sua vez geralmente estão associados a atividades físicas de intensidade vigorosa. Embora tenhamos informações sobre as possibilidades de eventos indesejados durante a prática de atividade física, essas taxas de acontecimentos são muito baixas, porém existentes (Colégio Americano de Medicina do Esporte, 2023).
Para que os profissionais de Educação Física saibam, ou pelo menos tenham noção, como está o estado de saúde das pessoas que estão praticando exercícios físicos, dever-se-ia adotar uma triagem de saúde para a participação em exercício físico. A ideia não seria excluir as pessoas da prática, mas sim identificar os indivíduos que estão em risco de eventos cardiovasculares adversos relacionados ao exercício físico.
A triagem identifica pessoas que necessitam de autorização médica antes de iniciar um programa de exercícios físicos de intensidade moderada a vigorosa ou aumentar a intensidade de seu programa atual. Identifica pessoas com doenças clinicamente significativas, que podem beneficiar-se da participação em programas de exercício físico sob supervisão médica. E, por fim, identifica pessoas com condições de saúde que possam exigir a exclusão de programas de exercício físico (como arritmia e insuficiências graves) até que essas condições sejam atenuadas ou bem controladas.
Conclusão
A ciência vem apresentando bastante informação sobre os benefícios associados à prática do exercício. No entanto, percebe-se que existem riscos. Para otimizar os benefícios e reduzir os riscos, parece imperativo realizar condutas para conhecer melhor seus participantes das diferentes práticas esportivas e como sugestão para empresas e profissionais, sugerem-se triagem pré-participação à prática de atividades físicas, capacitações para uma orientação adequada sobre tipo, tempos e intensidade da atividade.
Prof. Me. Júlio César Barbosa de Lima Pinto
Docente do Curso de Educação Física do Centro Universitário Ateneu.
Doutorando em Ciências Médicas, mestre em Educação Física, especialista em Treinamento de Força e em Fisiologia do Exercício e graduado em Educação Física (Bacharelado).
Saiba mais sobre o Curso de Educação Física da UniAteneu.