Principais distúrbios do sono e suas repercussões em crianças com transtorno do espectro autista

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) trata-se de um complexo distúrbio do neurodesenvolvimento, caracterizado por um déficit na comunicação e interação social, além de apresentar padrões repetitivos e restritos de comportamento, atividades e interesses, de acordo com a American Psychiatric Association (2014). O termo espectro é utilizado devido à variação de manifestações do transtorno, que depende de diversos fatores, tais como como idade, nível de desenvolvimento e a gravidade da condição autista. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2017), estima-se que 1 em cada 160 crianças no mundo possuem o TEA.

Acredita-se que fatores ambientais e genéticos possam estar relacionados com o TEA, embora não se tenha definido uma causa específica. Dentre a complexidade sintomatológica apresentada, destaca-se a recorrência de distúrbios do sono, em cerca de 40% a 80% dos casos (CORTESI et al., 2010). Desse modo, sendo o sono definido como um estado complexo de processos fisiológicos e comportamentais fundamentais para o indivíduo, identificar seus transtornos e repercussões são determinantes para o funcionamento da rotina dessas crianças (TUFIK, 2015).

O sono é fundamental no processo de aprendizagem, pois é onde ocorre a consolidação da memória, é importante para o crescimento físico, permitindo a liberação do hormônio do crescimento, além de contribuir para o repouso psicológico e bem-estar emocional (TUFIK, 2015). Portanto, essas funções podem estar bastante prejudicadas, repercutindo em problemas comportamentais diurnos, tais como irritabilidade, hiperatividade, aumento do isolamento social e comportamentos estereotipados, dificultando ainda o desenvolvimento motor e cognitivo dessas crianças. Além disso, essas alterações impactam também na qualidade de vida e do sono de outros membros da família (CORTESI et al., 2010).

Os problemas de sono são relatados, principalmente, pelos pais, iniciando no primeiro ou segundo ano de vida, onde já se identifica dificuldades para o início do sono, agitação do mesmo, redução do sono total e sonolência excessiva diurna, além de bruxismo, parassonias e distúrbios respiratórios do sono (RICHDALE; SCHRECK, 2009). Por fim, identificar tais distúrbios e suas repercussões fará com que se busque meios para minimizá-los, impactando diretamente na rotina dessas crianças.

REFERÊNCIAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 [Recurso eletrônico]. (5a ed.; M. I. C. Nascimento, Trad.). Porto Alegre, RS: Artmed.
CORTESI, Flávia; GIANNOTTI, Flávia; IVANENKO, Anna; JOHNSON, Kyle. Sleep in children with autistic spectrum disorder. Sleep Med. 2010 Aug;11(7):659-64. doi: 10.1016/j.sleep.2010.01.010. Epub 2010 Jul 4. PMID: 20605110.
RICHDALE, Amanda L.; SCHRECK, Kimberly A. Sleep problems in autism spectrum disorders: prevalence, nature, & possible biopsychosocial aetiologies. Sleep Med Rev. 2009 Dec;13(6):403-11. doi: 10.1016/j.smrv.2009.02.003. Epub 2009 Apr 24. PMID: 19398354.
TUFIK, S. Medicina e Biologia do Sono. São Paulo; Manole, 2015.

Profª. Ma. Juliana Pinto Montenegro
Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Ateneu
Mestre em Ciências Médicas, especialista em Fisioterapia na UTI e graduada em Fisioterapia

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